Flertando pelo Instagram: o guia completo
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Flertando pelo Instagram: o guia completo

O Instagram se tornou, nos últimos anos, um dos principais territórios do flerte moderno. Flertar pelo Instagram virou uma habilidade que todo mundo usa, mas poucos realmente dominam, e entender como esse processo funciona pode fazer toda a diferença entre uma conversa que vai a lugar nenhum e uma conexão que te surpreende.

Antes de entrar nas dicas práticas, vale entender uma coisa: o flerte digital não é tão diferente do flerte presencial. O que muda é o canal. A psicologia por trás da atração, da aproximação e da criação de vínculo é a mesma. O que a tela faz é criar uma camada de distância que pode ser protetora, mas também pode travar você se você não souber usar a favor da conexão.


Seu perfil é sua primeira mensagem

Antes de você mandar uma única mensagem para alguém, essa pessoa já formou uma opinião sobre você. Pode parecer injusto, mas é assim que o cérebro humano funciona: ele processa informações visuais e contextuais em segundos, e já cria uma narrativa. O seu perfil no Instagram é essa narrativa. Ele fala por você o tempo todo, mesmo quando você está dormindo.

Pensa assim: quando você chega em algum lugar pela primeira vez, as pessoas te avaliam pela forma que você está vestido, pela sua postura, pelo jeito que você sorri. No Instagram, o equivalente a isso é o seu perfil. Foto, bio, feed, destaques. Tudo isso compõe a sua imagem antes de você dizer “oi”.

Então, se você quer flertar pelo Instagram de verdade, o primeiro trabalho não é na DM. É no seu próprio perfil.

A foto de perfil diz muito antes de você falar qualquer coisa

A foto de perfil é o primeiro ponto de contato visual. É ali que a pessoa decide se vai parar para olhar o seu perfil ou simplesmente passar para frente. Uma foto de perfil clara, onde o seu rosto aparece bem, já coloca você em vantagem enorme em relação a quem usa foto de paisagem, logo de time ou imagem sem identidade.

Não precisa ser uma foto profissional, longe disso. Mas precisa ser uma foto onde você aparece de forma natural, com boa iluminação e sem filtros pesados que distorcem sua imagem. A razão é simples: quando a pessoa te encontrar pessoalmente, ela vai querer reconhecer você. Criar uma imagem muito diferente da realidade gera uma dissonância que quebra a confiança logo de início.

Existe ainda um aspecto terapêutico importante nisso tudo. Quando você escolhe uma foto onde você se sente bem, onde você aparece sendo você mesmo, você manda uma mensagem para o seu próprio cérebro: “eu me aceito, eu me mostro”. Isso impacta diretamente a sua autoestima no processo do flerte. Você aborda com mais segurança quando não está escondido atrás de uma imagem que não te representa.

O que a sua bio revela sobre você

A bio é aquele espaço de 150 caracteres que a maioria das pessoas subestima completamente. É onde você tem a chance de mostrar personalidade, humor, valores, estilo de vida. Uma bio bem escrita funciona como um cartão de visitas que cria curiosidade. Uma bio vazia ou genérica desperdiça uma oportunidade enorme de conexão.

Não existe uma fórmula mágica para a bio perfeita, mas alguns elementos costumam funcionar bem: uma informação sobre o que você faz ou ama, algo que revele sua personalidade, e talvez um toque de humor leve. Nada de lista de virtudes ou frases motivacionais copiadas da internet. Isso repele mais do que atrai, porque soa como alguém tentando impressionar sem ser genuíno.

Do ponto de vista da psicologia das conexões, a bio que funciona melhor é aquela que cria uma abertura para conversa. Quando você coloca algo específico como “fã de jazz e de churrasco ruim às três da manhã”, você entrega para a outra pessoa uma isca natural. Ela pode comentar sobre isso, criar uma identificação, iniciar uma troca. Você facilita o trabalho de quem quer se aproximar de você.

Feed: a vitrine que conta sua história

O feed do Instagram é como um álbum de fotos curado. Quando alguém vai ao seu perfil por interesse romântico, geralmente passa alguns minutos rolando esse feed para entender quem você é. Viagens, amigos, comida, hobbies, momentos cotidianos. Cada foto acrescenta uma camada à narrativa que você constrói sobre si mesmo.

Você não precisa ter um feed esteticamente perfeito no estilo agência de publicidade. O que importa é que o feed reflita quem você realmente é. Fotos com amigos mostram que você tem vida social. Fotos em lugares diferentes mostram que você se movimenta. Uma foto com seu cachorro ou seu gato diz algo sobre você. A ausência completa de fotos pessoais também diz algo, e geralmente cria desconfiança.

Um detalhe importante: o feed também funciona como uma arma silenciosa no flerte. Quando você posta algo interessante e aparece nos stories de alguém que te segue recentemente, o algoritmo coloca você na frente dessa pessoa. É tecnologia trabalhando para a sua paquera. Usar isso com consciência, postando conteúdo que represente você e que seja visualmente interessante, é uma estratégia real e eficaz.


O jogo das curtidas e dos stories

Existe uma linguagem silenciosa no Instagram que todo mundo entende, mas poucos conseguem articular claramente. Uma curtida numa foto antiga diz “eu fui lá no seu perfil”. Uma resposta a um story diz “eu te vi e quis falar algo”. Um like num post do feed às duas da manhã diz… bom, você sabe o que diz. Aprender a falar essa linguagem é fundamental para flertar pelo Instagram com inteligência.

O que a maioria das pessoas não percebe é que essa linguagem não verbal digital está sendo lida o tempo todo pelo outro lado. Cada ação que você toma no perfil de alguém é uma informação que vai sendo processada. A questão é: você está enviando as mensagens que quer enviar, ou está agindo no automático e mandando sinais que nem sabe que está mandando?

Vamos colocar isso em perspectiva. Nas relações humanas, segundo a psicologia interpessoal, a comunicação não verbal representa a maior parte do que é transmitido numa interação. No mundo digital, o equivalente a essa comunicação não verbal são justamente essas ações no Instagram. Curtidas, visualizações, reações a stories. Elas constroem uma percepção antes de qualquer palavra ser dita.

Curtidas estratégicas: o que funciona de verdade

Curtir fotos de alguém que você quer flertar é o primeiro passo concreto de aproximação no Instagram. Mas há uma diferença enorme entre curtir com intenção e curtir no impulso. Três curtidas em fotos do feed, espalhadas ao longo do tempo, sinalizam interesse sem criar aquela sensação desconfortável de que alguém passou horas arqueológicas no seu perfil.

Curtir uma foto muito antiga, daquelas de dois, três anos atrás, manda um sinal claro de que você foi fundo no perfil da pessoa. Isso pode ser lido de duas formas: como interesse intenso ou como comportamento invasivo. Depende do contexto e de quem está do outro lado. Uma boa regra geral é ficar nas fotos mais recentes, salvo se algo muito específico e relevante aparecer.

Existe um aspecto psicológico interessante nas curtidas: elas funcionam como validação. Quando você curte o conteúdo de alguém, você está dizendo “eu vejo você, e eu gostei do que vi”. Isso ativa no cérebro da pessoa um pequeno circuito de recompensa. Não estou falando em manipulação, estou falando em entender como os seres humanos respondem ao reconhecimento. Usar curtidas com autenticidade, em fotos que você realmente achou interessante, é completamente saudável e eficaz.

Stories como ferramenta de aproximação

Os stories revolucionaram o flerte digital. Antes deles, a única forma de interagir era no feed, de forma pública e permanente. Com os stories, surgiu um espaço mais íntimo, temporário e menos formal. A reação a um story abre uma conversa na DM de forma natural, sem o peso de uma mensagem fria e direta.

Reagir a um story com uma resposta genuína funciona muito melhor do que apenas apertar o coração. Quando você vê um story de alguém que te interessa mostrando um lugar que você também conhece, ou uma música que você ama, ou uma situação que você viveu algo parecido, comentar isso cria um ponto de identificação real. Esse é o tipo de conexão que dá início a conversas com profundidade.

Do lado de quem quer ser notado, os stories também são poderosos. Você pode usar seus próprios stories para criar contexto sobre sua vida, seus interesses, sua personalidade. Enquetes, caixinhas de perguntas, músicas que você está ouvindo. Cada story é uma janelinha que você abre para que a pessoa certa passe por ela. E quando alguém responde a um story seu, a porta da DM se abre de forma muito mais natural do que uma mensagem iniciada do nada.

Close friends: o nível avançado do flerte

A lista de close friends é, talvez, o recurso mais estratégico do Instagram para quem está flertando. Quando você adiciona alguém na sua lista de melhores amigos e começa a postar conteúdo mais pessoal, mais íntimo, mais descontraído exclusivamente para esse círculo, você está criando uma sensação de privilégio. A pessoa sente que foi escolhida para ver algo que não é para todo mundo.

Isso tem um peso emocional real. Na psicologia do relacionamento, criar intimidade progressiva é uma das formas mais saudáveis de construir vínculo. Você não vai logo de cara contar tudo sobre você para alguém que acabou de conhecer. Você vai abrindo camadas à medida que a confiança cresce. O close friends faz isso de forma digital.

Claro que esse recurso exige cuidado. Adicionar alguém no close friends logo no início pode soar intenso demais. O ideal é que isso aconteça quando já existe alguma troca, alguma conversa estabelecida. Funciona mais como uma escalada do que como um primeiro passo. Pense no close friends como o convite para sentar à mesma mesa, não como a primeira vez que você viu a pessoa do outro lado da sala.


A arte de entrar na DM

A DM é o coração do flerte pelo Instagram. É ali que as coisas acontecem de verdade. Mas também é ali que a maioria das pessoas trava, erra ou se perde. A primeira mensagem carrega um peso enorme porque define o tom de toda a conversa que vem depois. E entrar na DM de alguém sem qualquer contexto é um dos maiores desafios do flerte digital.

O que funciona na DM é o mesmo que funciona em qualquer conversa humana: autenticidade, interesse genuíno e bom humor. O que não funciona é o que todo mundo faz no automático: o “oi” seco, o elogio ao físico logo de cara, ou a abordagem forçada e ensaiada que a outra pessoa reconhece a quilômetros de distância.

Pensa bem: se alguém te mandasse uma mensagem com “oi” e nada mais, o que você faria? Provavelmente ignoraria ou responderia com outro “oi”, e a conversa morreria ali. Agora, se alguém te mandasse uma mensagem relacionada a algo que você postou, algo que mostrasse que a pessoa prestou atenção em você de verdade, a resposta seria completamente diferente. É sobre isso que vamos falar.

A primeira mensagem que abre portas

A primeira mensagem precisa ter um gancho. Algo que torne natural a resposta. Comentar sobre um story que a pessoa postou é a forma mais orgânica de começar, porque você não precisa explicar de onde veio o assunto. Ele já está dado. “Vi que você foi naquele restaurante, já fui lá uma vez e é incrível mesmo” abre uma conversa de forma simples e sem pressão.

O elogio ao físico funciona em alguns contextos, mas geralmente não é um bom começo. Não porque seja errado admitir que alguém é bonito, mas porque é exatamente o que todo mundo faz. Você se mistura com a multidão de mensagens que a pessoa já recebe. Um comentário sobre o conteúdo, sobre os interesses, sobre a personalidade que ela demonstra nos posts, isso diferencia você de forma genuína.

Existe um conceito na terapia de casal chamado “bid for connection”, que é basicamente uma tentativa de criar contato e conexão com o outro. A primeira mensagem na DM é exatamente isso. E assim como numa relação estabelecida, a forma como você faz esse bid importa muito. Ele precisa ser específico, caloroso e deixar espaço para que o outro escolha responder. Não pode ser uma demanda, precisa ser um convite.

Como manter a conversa fluindo

Você conseguiu a resposta. Ótimo. Agora vem a parte que a maioria das pessoas subestima: manter a conversa viva sem que ela vire um interrogatório ou uma série de monossílabos dos dois lados. Conversar bem na DM é uma habilidade que se desenvolve, e ela passa muito por saber perguntar, saber ouvir e saber se revelar no ritmo certo.

Perguntas abertas são seus melhores aliados. Em vez de “você gostou do show?”, tente “o que te fez escolher ir nesse show?” A segunda versão convida a pessoa a compartilhar algo de si, uma perspectiva, uma história, um sentimento. Isso cria profundidade de forma natural. E quando a pessoa compartilha algo pessoal, você tem a oportunidade de responder com algo igualmente pessoal. Assim a troca se torna uma dança.

Um erro muito comum é ficar no modo “entrevistador”. Você pergunta, ela responde, você pergunta de novo, ela responde. Isso cansa. O ideal é equilibrar: você pergunta, ela responde, você comenta a resposta dela com algo de você também, e aí deixa espaço para que ela siga o fio. Essa é a diferença entre uma conversa que flui e uma que parece um formulário. E sim, existe uma diferença enorme em como cada uma dessas dinâmicas faz a pessoa se sentir.

Quando e como escalar para um encontro real

Em algum momento, se a conversa está fluindo bem e existe interesse dos dois lados, surge a questão: quando propor um encontro fora do Instagram? Essa é uma das perguntas mais frequentes no universo do flerte digital, e a resposta é mais simples do que parece. Você propõe quando a conversa já tem substância o suficiente para sustentar um encontro presencial.

O sinal de que está na hora costuma aparecer sozinho: quando vocês já trocaram histórias pessoais, quando existe humor compartilhado, quando a pessoa responde suas mensagens com entusiasmo, quando você sente que a conversa já tem um ritmo e uma intimidade. Não precisa ser uma declaração solene. Um “que tal a gente continuar essa conversa pessoalmente?” é direto e honesto sem ser pesado.

A forma como você propõe também importa. Uma sugestão específica funciona melhor do que uma vaga. “Tem um café novo que abriu perto do centro, você topa ir quinta-feira?” é muito mais fácil de responder do que “um dia a gente podia sair”. A primeira é uma proposta. A segunda é uma ideia solta que pode ficar meses no ar sem virar nada. Seja concreto, seja gentil, e respeite qualquer que seja a resposta.


Sinais que você precisa aprender a ler

Uma das habilidades mais importantes no flerte, seja presencial ou digital, é saber ler os sinais do outro. No Instagram, esses sinais são específicos e, quando você aprende a interpretá-los, você para de ficar na dúvida o tempo todo sobre se a pessoa está interessada ou não. Isso poupa uma energia emocional enorme.

É importante lembrar que ler sinais não é sobre adivinhar o que a pessoa está pensando. É sobre prestar atenção no comportamento, na consistência, na forma como a pessoa responde. Comportamento é informação. E no Instagram, você tem muito comportamento disponível para observar se você treinar o olhar certo.

Dito isso, vale sempre ter em mente que as pessoas são complexas. Ninguém deve ser reduzido a uma lista de sinais. Use as observações como pistas, não como verdades absolutas. E a única forma de ter certeza de algo é perguntando, comunicando, sendo direto quando o momento pede.

Sinais de interesse genuíno

Quando alguém está genuinamente interessado em você pelo Instagram, o comportamento costuma ser consistente. A pessoa responde suas mensagens com engajamento real, não só com “haha” ou emojis. Ela pergunta sobre você, lembra coisas que você contou em conversas anteriores, comenta nos seus posts com algo além de um emoji. Esse conjunto de comportamentos revela atenção e investimento.

Outro sinal claro é a iniciativa. Quando a pessoa começa a te mandar mensagens também, quando ela reage aos seus stories, quando ela te marca em algo que te lembrou, isso é ela dizendo, sem palavras, que você está no pensamento dela. Na psicologia dos vínculos afetivos, esse tipo de comportamento de aproximação espontânea é um dos indicadores mais confiáveis de interesse real.

A frequência e a velocidade das respostas também dizem algo. Não precisa ser obsessivo com isso, mas quando alguém sempre demora dias para responder ou dá respostas curtas independente do quanto você se esforça, isso é uma informação. Por outro lado, quando a pessoa responde com rapidez e com mensagens substanciais, ela está priorizando a conversa com você. Isso importa.

Sinais de que está na hora de recuar

Nem todo flerte vai para frente, e tudo bem. O problema é quando você ignora os sinais de que o outro lado não está correspondendo e continua investindo energia de um jeito que começa a se tornar invasivo. Saber recuar com elegância é uma demonstração de inteligência emocional, não de fraqueza.

Respostas monossilábicas constantes, demora excessiva para responder, ausência de perguntas de volta, stories visualizados sem reação. Cada um desses sinais isolado pode não significar nada. Mas quando eles aparecem juntos e de forma consistente, eles formam um padrão. E padrões contam histórias mais honestas do que qualquer palavra.

Se você perceber que está sempre iniciando as conversas, que a pessoa nunca te procura, que as mensagens dela parecem obrigação, é hora de dar um passo atrás. Não precisa de drama, não precisa de confronto. Você simplesmente para de insistir. Respeitar esse limite não é fácil quando você está com interesse genuíno, mas é necessário. E é, na prática, o que preserva a sua dignidade e a sua saúde emocional nesse processo.

A diferença entre jogo e conexão real

No universo do flerte digital, existe uma distinção importante que nem sempre é fácil de perceber de imediato: a diferença entre alguém que está jogando, ou seja, usando técnicas para te manter interessado sem ter intenção real, e alguém que está construindo uma conexão genuína. Aprender a fazer essa distinção te salva de muita frustração.

Quem está jogando costuma ser inconsistente. Aparece com intensidade, some por dias, volta como se nada tivesse acontecido. Elogia muito, mas evita perguntas que criam profundidade. Mantém a conversa no nível superficial de forma sistemática. Isso não é necessariamente maldade, às vezes é insegurança, às vezes é falta de maturidade emocional. Mas é importante que você reconheça esse padrão para não se machucar investindo mais do que o outro está disposto a oferecer.

Conexão real, por outro lado, tem uma qualidade diferente. Ela é consistente, mesmo que não seja intensa o tempo todo. Ela avança, mesmo que devagar. A pessoa demonstra interesse em te conhecer de verdade, não só em te impressionar. Ela é honesta sobre si mesma, incluindo sobre suas incertezas e limitações. Essa autenticidade mútua é o terreno onde os relacionamentos de verdade crescem.


O lado emocional do flerte digital

O flerte pelo Instagram mexe com emoções reais. Parece óbvio quando falado assim, mas muitas pessoas entram nesse jogo como se fosse algo leve e sem consequências, e se surpreendem quando saem emocionalmente esgotadas de um ciclo de conversas que não foram a lugar nenhum. O digital não cria uma barreira para os sentimentos. Ele só muda o formato em que eles aparecem.

Existe uma armadilha específica do flerte online chamada de “relacionamento parasocial”. Você vai construindo na sua cabeça uma imagem da outra pessoa a partir dos posts dela, dos stories, das mensagens. Essa imagem vai ficando cada vez mais detalhada e positiva. Mas ela é uma construção sua. Você não conhece a pessoa de verdade ainda. E quando o encontro presencial acontece, ou quando a pessoa se mostra diferente do que você imaginou, a decepção é proporcionalmente grande.

Isso não significa que o flerte pelo Instagram não funciona. Funciona muito. Mas funciona melhor quando você mantém consciência de que está na fase do conhecimento inicial, não na fase do relacionamento. Preservar essa clareza te ajuda a curtir o processo sem depositار expectativas excessivas num estranho que você ainda está aprendendo a conhecer.

Ansiedade e o fantasma do “visto sem resposta”

“Visto” sem resposta. Se existe um símbolo da ansiedade do flerte digital, é esse. Você manda uma mensagem, vê que foi lida, e o tempo passa sem retorno. O cérebro começa a trabalhar horas extras criando interpretações. “Eu disse algo errado?” “Ela não está mais interessada?” “Fui direto demais?” “Esperei de mais para responder?”

O primeiro ponto aqui é entender que as pessoas têm vidas. Mensagens ficam para depois por mil razões que não têm nada a ver com você. Trabalho, cansaço, falta de disposição para conversar naquele momento, uma situação pessoal que você nem sabe que existe. Transformar um “visto” sem resposta em um julgamento sobre o seu valor é uma distorção cognitiva que se chama personalização, e ela te faz sofrer de forma desnecessária.

O segundo ponto é que, se esse padrão de ansiedade é frequente na sua vida, vale prestar atenção no que está por baixo disso. Às vezes o flerte digital amplifica inseguranças que já estavam lá antes. A sensação de precisar de validação constante, o medo de rejeição, a dificuldade de tolerar a incerteza. Esses são pontos que valem explorar, seja em terapia, seja em autoconhecimento. O flerte saudável começa de dentro para fora.

Autoestima e autenticidade no flerte online

Um dos maiores erros que as pessoas cometem no flerte pelo Instagram é tentar ser uma versão melhorada de si mesmas. Fotos com filtros excessivos. Bio que descreve quem você gostaria de ser, não quem você é. Conversas onde você concorda com tudo que o outro diz para agradar. Esse esforço de criar uma persona mais “atraente” tende a se voltar contra você.

Existe uma razão psicológica simples para isso: quando você cria uma versão falsa, você não sabe se o interesse que a outra pessoa demonstra é por você ou pela persona. Isso cria uma insegurança crônica, porque no fundo você sabe que a pessoa não te conhece de verdade. Você vive com medo de que, quando ela te conhecer de verdade, vai se decepcionar. Esse medo, por si só, já sabota muitas conexões antes de elas floresccerem.

A autenticidade é o caminho mais curto para a conexão real. Quando você se mostra como de fato é, com suas qualidades e suas esquisitices, você filtra naturalmente. Quem não se identificar com você vai embora, e isso é bom. Quem se conectar vai se conectar de verdade. E a qualidade de uma conexão genuína vale muito mais do que a quantidade de interessados que você consegue atrair sendo uma versão fabricada de si mesmo.

Construindo conexão real além da tela

O flerte pelo Instagram é um ponto de partida, não um destino. A tela pode criar contexto, curiosidade, familiaridade inicial. Mas ela tem um limite muito claro: ela não substitui o contato humano real. A presença física, o olhar, o tom de voz, o riso ao vivo. Tudo isso é insubstituível na construção de vínculos afetivos duradouros.

Por isso, o objetivo do flerte digital bem feito é criar abertura suficiente para que o encontro presencial aconteça. Não precisa ser necessariamente um encontro romântico formal. Pode ser uma saída casual, um evento em comum, qualquer situação onde vocês possam se encontrar como pessoas reais, não como perfis numa tela. Esse passo é o que transforma uma conexão virtual em algo com potencial real.

E quando o encontro acontece, lembre-se de chegar com abertura, não com roteiro. Você já investiu tempo construindo um contexto pelo Instagram. Agora é hora de largar as expectativas e simplesmente estar presente. Ouça a pessoa. Compartilhe coisas reais. Deixe o encontro ser o que ele quiser ser. Essa leveza é o que permite que uma conexão genuína se desenvolva, sem a pressão de seguir um script que você escreveu na sua cabeça.


Exercícios para Praticar

Exercício 1: O Mapa do Seu Perfil

Abra o seu Instagram agora e olhe para o seu próprio perfil como se fosse a primeira vez. Responda por escrito as seguintes perguntas: O que a minha foto de perfil diz sobre mim? A minha bio reflete quem eu sou de verdade, ou é genérica? Minhas últimas 9 fotos do feed contam uma história coerente sobre minha vida?

Depois, escreva uma versão nova da sua bio usando no máximo 3 elementos: algo que você faz ou ama, algo que revele sua personalidade, e algo que crie abertura para conversa. Não precisa ser perfeito. O objetivo é praticar se apresentar com autenticidade.

Resposta esperada: Muitas pessoas percebem que a bio estava vazia ou cheia de frases genéricas, e que o feed mostrava uma versão muito curada que não representa o cotidiano. A reescrita costuma revelar coisas que você genuinamente ama e que são ótimos ganchos para conexão. O exercício também ajuda a identificar o que você quer transmitir, o que é informação valiosa tanto para o flerte quanto para o autoconhecimento.

Exercício 2: A Primeira Mensagem Treinada

Escolha o perfil de alguém que te interessa. Sem enviar nada ainda, escreva no papel ou no bloco de notas do celular três versões diferentes de uma primeira mensagem para essa pessoa. Uma delas deve ser baseada em algo que ela postou recentemente. A outra deve ser um comentário sobre algo que vocês têm em comum. A terceira pode ser mais direta, mas ainda respeitosa e com gancho para resposta.

Leia as três versões e observe qual delas soa mais natural, mais parecida com você, mais gentil sem ser forçada. Essa é a que você pode enviar de verdade se quiser. O objetivo do exercício não é ter uma mensagem mágica, mas perceber que você é capaz de se comunicar com autenticidade, e que a melhor abordagem sempre vem de quem você realmente é.

Resposta esperada: Na maioria das vezes, a versão mais natural é a baseada em algo que a pessoa postou, porque ela tem contexto real e não exige que você invente um assunto do nada. Muitas pessoas percebem também que a versão mais “calculada” soa artificial até para elas mesmas, o que é um bom indicador de que autenticidade e estratégia podem andar juntas sem precisar de scripts prontos.

Luana

Luana Psico é psicóloga clínica (CRP 07 /2044 formada pela Unicamp, com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental / Psicanálise / Gestalt.  Facebook 
Com 30 anos de experiência, Luana dedica-se a oferecer um espaço seguro, ético e acolhedor para seu público,  adultos e adolescentes] que buscam autoconhecimento e qualidade de vida.   Em sua prática diária, atua ajudando pacientes a lidarem com questões como ansiedade, depressão, estresse, luto e transições de carreira. Instagram  

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