Como Blindar Sua Autoestima Contra a Rejeição Online
Terapia

Guia Terapêutico Prático de Exposição Social

Aprender como superar o medo de falar em público exige que você olhe para suas emoções com muita gentileza e curiosidade. Nós recebemos muitas mensagens erradas sobre a ansiedade ao longo da vida. A sociedade ensina que tremer diante de uma plateia aponta fraqueza ou falta de preparo. Isso é uma inverdade absoluta sobre o funcionamento da mente humana. O seu cérebro está apenas tentando proteger você de um perigo percebido.

Você senta na cadeira da minha sala hoje com o coração acelerado só de pensar na próxima apresentação do trabalho. Eu vejo a sua angústia e valido o seu sentimento. Nós vamos desmontar esse medo peça por peça juntos. A terapia cognitivo-comportamental nos oferece ferramentas incríveis para entender essas travas. O foco do nosso trabalho não envolve transformar você em um palestrante perfeito e sem falhas.

O nosso objetivo real envolve ensinar o seu sistema nervoso a tolerar a exposição social de forma segura. Você vai aprender a comunicar suas ideias com autenticidade e presença. Esqueça as dicas superficiais sobre imaginar a plateia sem roupas. Nós vamos construir recursos emocionais profundos e duradouros para você acessar sempre que precisar usar a sua voz no mundo.

Entendendo a raiz da sua ansiedade de exposição

O primeiro passo do nosso processo terapêutico exige olhar para a origem do seu desconforto. Ninguém acorda de manhã e decide ter fobia de falar em público. Esse medo nasce de uma mistura complexa entre a nossa biologia evolutiva e as nossas experiências de vida. O seu corpo reage a uma plateia da mesma forma que nossos ancestrais reagiam a um predador na selva.

Nós precisamos mapear os seus gatilhos específicos antes de aplicar qualquer técnica de enfrentamento. Algumas pessoas temem o julgamento de figuras de autoridade. Outras pessoas entram em pânico com a possibilidade de esquecer o conteúdo e passar vergonha. Identificar o seu gatilho exato permite que a gente crie um plano de ação sob medida para as suas necessidades emocionais.

A ansiedade de exposição ganha força quando você foge das situações que causam medo. O alívio imediato de cancelar uma apresentação reforça no seu cérebro a ideia de que o palco representa um perigo mortal. Nós vamos reverter esse ciclo de evitação aos poucos. Você precisa entender que o medo diminui quando nós o enfrentamos com as ferramentas certas nas mãos.

O mecanismo de luta ou fuga no seu cérebro

A sua amígdala cerebral funciona como um alarme de incêndio interno. Ela não diferencia uma ameaça física de uma ameaça social. Quando você levanta para falar em uma reunião, esse alarme dispara. O seu corpo recebe uma descarga intensa de adrenalina e cortisol em fração de segundos. Esse processo biológico prepara a sua musculatura para correr ou para lutar.

Você sente a boca seca, as mãos suadas e a voz trêmula por causa dessa química no seu sangue. O sangue foge das extremidades e do sistema digestivo para focar nos grandes músculos. O seu cérebro desliga temporariamente o córtex pré-frontal. O córtex pré-frontal cuida do nosso pensamento lógico e da nossa capacidade de acessar memórias organizadas.

Entender essa resposta física tira o peso da culpa dos seus ombros. Você não treme por incompetência profissional ou por falta de inteligência. O seu cérebro primitivo assumiu o controle momentâneo da operação. Nós vamos usar técnicas de regulação para avisar essa área primitiva de que a sala de reuniões representa um ambiente totalmente seguro.

Crenças limitantes sobre o julgamento alheio

A nossa mente adora criar histórias trágicas sobre o que os outros pensam de nós. Essas histórias recebem o nome de crenças limitantes na linguagem terapêutica. Você carrega regras internas rígidas sobre como deve se comportar na frente das pessoas. Uma dessas regras talvez exija que você nunca demonstre nervosismo ou nunca gagueje.

Melhores Cenários de Encontros para Pessoas Tímidas
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A busca por aprovação total paralisa a sua comunicação espontânea. Você acredita que a plateia observa cada pequeno defeito da sua postura. A realidade mostra um cenário muito diferente desse delírio persecutório. A maioria das pessoas na plateia pensa nos próprios problemas e torce para que a sua apresentação corra bem.

Nós precisamos questionar a validade dessas crenças durante as nossas sessões. Qual evidência real você possui de que as pessoas querem destruir a sua imagem? O perfeccionismo atua como um escudo pesado e inútil contra o medo. Aceitar a própria vulnerabilidade afrouxa as cordas que amarram a sua garganta na hora de discursar.

A diferença entre nervosismo normal e fobia social

Um certo nível de ativação física ajuda você a performar melhor em público. O nervosismo normal traz energia, foco e presença para a sua fala. Grandes artistas e oradores sentem frio na barriga antes de entrar no palco até hoje. Esse tipo de ansiedade leve some logo após os primeiros minutos de fala.

A fobia social apresenta um quadro muito mais restritivo e doloroso. O medo paralisa a pessoa dias ou semanas antes do evento marcado. Os sintomas físicos causam um sofrimento agudo e incontrolável. A pessoa perde oportunidades valiosas de carreira e de conexões por evitar sistematicamente qualquer holofote.

O nosso trabalho respeita o seu nível atual de sofrimento. Nós não vamos forçar você a dar uma palestra para mil pessoas amanhã. A clareza sobre o tamanho do seu medo dita o ritmo dos nossos exercícios de exposição. O progresso terapêutico acontece um pequeno passo de cada vez, com muita autocompaixão ao longo do trajeto.

Quadro Resumo: Entendendo a raiz da ansiedade

  • O medo tem origem na resposta primitiva de luta ou fuga do cérebro.
  • Sintomas físicos ocorrem pela liberação de adrenalina, não por incompetência.
  • Crenças limitantes e perfeccionismo intensificam o medo do julgamento.
  • Existe uma diferença clara entre nervosismo funcional e ansiedade social paralisante.

Estratégias de regulação emocional antes do palco

A preparação emocional antecede a preparação do conteúdo da sua fala. Um cérebro ansioso não consegue acessar o melhor discurso do mundo. Nós precisamos criar um kit de primeiros socorros emocionais para os momentos de crise. Você vai carregar essas ferramentas na bolsa e usar sempre que o alarme interno disparar sem motivo.

A regulação emocional devolve o controle do corpo para você. Nós usamos o próprio corpo para mandar mensagens de calma para a mente. Essa via de comunicação de baixo para cima funciona mais rápido do que tentar pensar positivo. Dizer “fique calmo” para si mesmo durante uma crise de ansiedade gera o efeito oposto e aumenta a frustração.

Você precisa treinar essas estratégias em momentos de paz. Aprender a nadar durante uma tempestade resulta em afogamento. Nós vamos praticar as técnicas na segurança da nossa rotina. O seu corpo criará uma memória muscular dessas práticas relaxantes. O acesso a elas ficará automático no dia da sua grande apresentação.

Respiração diafragmática para acalmar o sistema nervoso

A respiração curta e peitoral avisa o seu cérebro que existe um perigo iminente. A ansiedade muda o nosso padrão respiratório sem que a gente perceba. Você puxa o ar rápido e solta devagar, acumulando tensão na região do peito e dos ombros. Essa hiperventilação leve causa tontura e piora o branco na mente.

A respiração diafragmática ativa o nervo vago e liga o sistema nervoso parassimpático. Esse sistema comanda o estado de descanso e digestão do nosso corpo. Você precisa colocar a mão na barriga e sentir o abdômen inflar como um balão na inspiração. A expiração deve ser lenta e controlada, como se você soprasse uma vela sem apagar a chama.

Faça ciclos dessa respiração no banheiro antes de entrar na sala de reunião. Três minutos de respiração profunda reduzem drasticamente os níveis de cortisol no sangue. Você retoma o acesso ao seu córtex pré-frontal e recupera a clareza mental. A sua voz ganha mais ressonância e firmeza quando sai de um corpo oxigenado corretamente.

Ressignificação de pensamentos catastróficos

A ansiedade cria filmes de terror na sua cabeça e exige que você assista a todos eles. Você imagina as pessoas rindo das suas falhas ou o chefe exigindo a sua demissão. A terapia chama isso de catastrofização. O seu cérebro trata esses cenários imaginários como previsões absolutas do futuro.

Você precisa virar o roteirista dessa história mental. Nós usamos uma técnica chamada reestruturação cognitiva para lidar com isso. Você vai pegar o pensamento catastrófico e buscar evidências que o contradigam. Se você pensar “eu vou gaguejar e perder o emprego”, nós analisamos quantas vezes você já gaguejou e se o mundo realmente acabou depois disso.

A substituição do pensamento precisa soar realista para o seu cérebro aceitar a mudança. Trocar “vai ser um desastre” por “eu serei o palestrante mais aplaudido do mundo” não funciona. O seu cérebro rejeita mentiras positivas. A troca mais saudável soa como “eu posso sentir nervosismo, mas tenho preparo para entregar o recado principal”.

Como criar um espaço seguro para comunicação profunda e sincera
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Ancoragem no momento presente

O medo de falar em público vive no futuro. A sua mente viaja para os próximos cinco minutos e sofre por antecedência. A ansiedade rouba a sua presença no momento atual. Você não presta atenção no ambiente ao seu redor porque está preso dentro da própria cabeça lutando contra sintomas.

A técnica de ancoragem puxa a sua consciência de volta para o agora. Nós usamos os cinco sentidos para fazer esse resgate. Sinta o peso dos seus pés no chão e a textura da roupa na sua pele. Observe as cores da sala e ocupe o seu espaço físico com total consciência da sua existência no ambiente.

Essa prática quebra o transe da ansiedade instantaneamente. Você percebe que o ambiente atual oferece total segurança. Não existem tigres na sala de conferência. A ancoragem permite que você olhe para os rostos das pessoas e enxergue seres humanos comuns, não juízes implacáveis de um tribunal imaginário.

Quadro Resumo: Estratégias de regulação emocional

  • Regulação emocional prévia evita a falha do acesso ao conteúdo.
  • A respiração diafragmática ativa o sistema nervoso de relaxamento.
  • Pensamentos catastróficos precisam de reestruturação com foco na realidade.
  • A ancoragem no momento presente reduz o medo antecipatório do futuro.

Preparação cognitiva e estruturação do seu discurso

O improviso total assusta até os comunicadores mais experientes do mercado. A falta de estrutura alimenta as suas crenças de incompetência. Você precisa de um mapa claro para guiar os seus passos durante a fala. Um discurso bem desenhado funciona como um corrimão de escada para você se apoiar quando o nervosismo bater.

A organização lógica do tema reduz a carga cognitiva do seu cérebro. Você não precisa gastar energia inventando caminhos no meio da apresentação. O foco fica totalmente na entrega da mensagem e na conexão com as pessoas. Nós vamos criar roteiros mentais que sobrevivam a qualquer apagão temporário da sua memória.

Muitas pessoas decoram o texto palavra por palavra e isso representa um perigo enorme. O cérebro ansioso falha na retenção de textos longos sob pressão. Se você esquecer uma vírgula do texto decorado, a estrutura inteira desmorona. A preparação correta foca em blocos de ideias e não na memorização robótica de frases.

Domínio do conteúdo como escudo protetor

A clareza sobre o seu próprio conhecimento oferece um conforto psicológico imenso. Você precisa estudar o seu tema até conseguir explicá-lo de três formas diferentes. A capacidade de resumir a sua apresentação em uma única frase prova o seu domínio sobre o assunto. O conhecimento profundo blinda você contra o medo de perguntas imprevistas.

Crie uma estrutura mental de início, meio e fim para a sua fala. Use tópicos principais para ancorar as suas histórias e os seus dados. Se você perder o fio da meada, basta olhar para o tópico seguinte e retomar o fluxo. O domínio permite que você faça pausas estratégicas sem entrar em desespero silencioso.

Lembre do seu lugar de fala e da sua experiência prática. Você foi chamado para falar porque possui algo valioso para compartilhar com as pessoas. Aproprie-se da sua jornada profissional e do seu tempo de estudo. A plateia deseja aprender com a sua visão única de mundo e não com um robô reprodutor de informações do Google.

A técnica da exposição gradual na sua rotina

A terapia cognitivo-comportamental utiliza a exposição gradual como tratamento padrão ouro para fobias. Nós não jogamos a pessoa no fundo da piscina logo no primeiro dia. Nós construímos uma hierarquia de medos e começamos pelo item menos assustador. O sucesso nas pequenas exposições constrói a coragem necessária para os grandes desafios.

Comece gravando a sua apresentação no celular apenas para você assistir. O próximo passo envolve apresentar o tema para um amigo de confiança na sala da sua casa. Depois, você apresenta para um pequeno grupo de colegas de trabalho que te apoiam. O seu cérebro registra que você sobreviveu a todas essas etapas sem nenhum dano real.

Cada pequeno sucesso reescreve a resposta neural de medo. Você dessensibiliza a sua amígdala de forma gentil e progressiva. A grande apresentação final se torna apenas mais um degrau em uma escada que você já subiu várias vezes. Celebre cada etapa concluída dessa jornada de exposição com muito orgulho do seu esforço.

Transformando a cobrança por perfeição em conexão

A busca por uma apresentação impecável afasta as pessoas de você. A plateia desconfia de palestrantes perfeitos demais e engessados. Os seres humanos conectam pelo compartilhamento das vulnerabilidades e dos erros. Um pequeno tropeço na fala ou um esquecimento geram empatia imediata no público se você lidar com naturalidade.

A importância do hábito de agradecer pela presença do outro
A importância do hábito de agradecer pela presença do outro

Troque a meta da perfeição pela meta da conexão genuína. O seu objetivo principal envolve entregar valor para aquelas pessoas sentadas na sua frente. Quando você foca em servir a plateia, o foco da atenção sai de você mesmo. O peso do ego diminui consideravelmente e a ansiedade cai na mesma proporção.

Sorria quando cometer um pequeno engano e corrija sem pedir desculpas excessivas. A sua reação ao erro determina a reação do público. Se você trata o erro como uma tragédia, o público sente o mesmo desconforto. Se você trata o erro com leveza e humor, o público relaxa junto com você e a apresentação segue brilhantemente.

Quadro Resumo: Preparação e estruturação

  • Evite decorar textos exatos para não correr o risco de apagões mentais.
  • O domínio de blocos de ideias oferece flexibilidade e segurança.
  • Exposição gradual fortalece a tolerância ao estresse em pequenos passos.
  • Conexão autêntica com o público vale muito mais do que perfeição robótica.

O corpo fala: gerenciando as reações físicas

Nós negligenciamos a inteligência do corpo quando o medo ataca a nossa mente. A sua linguagem não verbal comunica o seu estado emocional antes mesmo de você abrir a boca. O trabalho terapêutico abraça o corpo como um aliado poderoso na regulação do medo. A sua fisiologia pode mudar a sua psicologia em minutos.

O palco exige energia física e presença espacial. Você tende a se encolher e ocupar pouco espaço quando sente insegurança. Os braços cruzam sobre o peito em uma tentativa inconsciente de proteger os órgãos vitais. Nós vamos reprogramar essa postura de defesa para uma postura de abertura e receptividade.

O uso consciente do corpo queima o excesso de adrenalina acumulada pela ansiedade. A sua movimentação no palco não pode ser caótica ou repetitiva como um leão enjaulado. Nós precisamos canalizar essa energia nervosa em gestos afirmativos e posturas estáveis. O seu corpo dita o ritmo da sua confiança interna.

Postura corporal e a química da confiança

A expansão corporal avisa o seu cérebro de que você está no comando da situação. Manter os pés afastados na largura dos ombros fornece uma base sólida de sustentação. O peito aberto e a coluna ereta facilitam a entrada de ar nos pulmões. Essa postura simples reduz as taxas de hormônios de estresse no seu sangue.

Use os braços para enfatizar as palavras principais do seu discurso. Os gestos amplos e visíveis demonstram transparência e autoridade sobre o tema. Evite segurar objetos pequenos como canetas ou anéis, pois isso estimula a inquietação nervosa. Deixe as mãos livres para acompanhar a fluidez do seu raciocínio lógico.

Assuma essa postura de confiança mesmo antes de sentir a confiança real. O comportamento precede o sentimento em muitas abordagens comportamentais. Você age como uma pessoa segura e a segurança se instala na sua mente pouco tempo depois. A constância física sustenta a sua estabilidade emocional durante todo o evento.

Como Encerrar um Encontro Ruim de Como Encerrar um Encontro Ruim de Forma EducadaForma Educada
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Liberando a tensão muscular acumulada

O medo contrai a sua musculatura de forma agressiva e silenciosa. Você trava o maxilar, ergue os ombros perto das orelhas e tensiona as coxas sem perceber. Essa armadura muscular causa dores físicas e prende a sua capacidade vocal. Uma voz presa na garganta denuncia o nível de estresse interno para qualquer ouvinte atento.

Nós usamos o relaxamento muscular progressivo para soltar essas travas. Você vai tensionar e soltar grupos musculares específicos antes de entrar no palco. Aperte as mãos com força por cinco segundos e solte lentamente sentindo o alívio. Faça o mesmo movimento com os ombros e com os músculos da face no camarim ou no banheiro.

Movimentar o corpo levemente antes da fala também ajuda muito na liberação de energia. Dê pequenos saltos no lugar ou alongue os braços para o alto longe do olhar do público. Essa soltura quebra a rigidez do congelamento provocado pelo medo. Você entra na sala de apresentação com o corpo solto e pronto para a ação.

Contato visual sem sobrecarga sensorial

Olhar para uma multidão de rostos desconhecidos ativa o sistema de alerta do nosso cérebro. A sensação de ter dezenas de pares de olhos julgando você paralisa as cordas vocais. Muitos palestrantes olham para o teto ou para o fundo da sala para evitar esse contato visual temido. Essa fuga destrói a conexão emocional com o público.

Você vai dividir a plateia em pequenos quadrantes mentais durante a sua fala. Escolha um rosto com expressão amigável em cada bloco e foque nele por alguns segundos. Falar com uma pessoa específica traz o conforto de uma conversa de bar. Você entrega a ideia para aquela pessoa e depois muda o olhar para o próximo quadrante.

O contato visual calibrado acalma a sua mente e inclui os ouvintes na sua história. As pessoas sentem quando você olha através delas. Olhar diretamente gera um engajamento poderoso e prende a atenção do público do início ao fim. O seu medo diminui quando você percebe as pessoas concordando com a cabeça enquanto você fala.

Quadro Resumo: O corpo e as reações físicas

  • Adotar uma postura expansiva comunica segurança para o seu próprio cérebro.
  • Tensão muscular deve ser liberada através de técnicas progressivas antes da fala.
  • Evite o isolamento visual focando em rostos amigáveis e acolhedores na plateia.
  • O gesto acompanha o raciocínio e queima o excesso de adrenalina saudável.

Acolhendo as falhas e construindo resiliência comunicativa

A fase final do nosso trabalho acontece depois que os aplausos terminam e você desce do palco. A forma como você processa a experiência dita o seu nível de ansiedade para o próximo desafio. A mente costuma focar no único erro cometido e ignorar os noventa e nove por cento de acertos do evento. Esse viés negativo destrói a autoestima comunicativa.

A resiliência surge quando abraçamos as falhas como dados úteis e não como defeitos morais de caráter. Você sobreviveu à apresentação e esse fato já merece muita celebração. Nós precisamos criar um ritual de fechamento saudável após cada exposição social que você fizer. A gentileza consigo mesmo consolida o aprendizado na sua mente.

O processo de cura da fobia social envolve idas e vindas normais. Você vai enfrentar dias excelentes e dias mais escorregadios ao longo do caminho. O importante envolve manter a consistência e não voltar para o comportamento de fuga. A sua voz tem o direito de ocupar os espaços do mundo com todas as suas particularidades.

O branco na mente e como lidar com ele

O esquecimento abrupto representa o maior pesadelo dos meus clientes ansiosos. O branco acontece porque o pico de cortisol bloqueia o acesso rápido à memória de trabalho. Você sente que a sua mente virou uma tela em branco no meio do palco. A pior reação possível envolve entrar em desespero e pedir desculpas repetidas vezes.

Você precisa normalizar o branco na frente das pessoas com total elegância. Faça uma pausa intencional de três segundos e respire fundo pelo nariz. Beba um gole de água para dar tempo ao seu cérebro de reiniciar o sistema de busca de palavras. Olhe suas anotações com calma e sem demonstrar vergonha pelo ato de consultar o roteiro.

Diga algo simples como “deixe-me consultar minhas anotações para não esquecer um detalhe importante”. O público acha essa atitude madura e responsável. O branco perde o poder de terror quando você sabe exatamente como contornar o buraco na memória. A sua autoridade permanece intacta perante os ouvintes atentos.

Autoaceitação após a apresentação

O seu crítico interno costuma acordar furioso no caminho de volta para casa. Ele aponta cada deslize verbal e cada tremor na voz com crueldade extrema. Você passa horas remoendo uma frase que soou estranha no terceiro slide da palestra. Essa ruminação mental gera um esgotamento emocional profundo e desnecessário.

Você precisa praticar o acolhimento compassivo imediatamente após o evento. Liste três pontos positivos que aconteceram durante a sua fala antes de analisar os pontos de melhoria. Reconheça a coragem que você teve de enfrentar os seus medos diante da plateia. A validação pessoal substitui a necessidade do aplauso externo.

Escreva um pequeno diário de bordo emocional após cada apresentação realizada. Anote o que funcionou bem na sua técnica de respiração e o que precisa de ajustes no seu roteiro. A análise objetiva cala os gritos da autocrítica irracional. Você se torna o seu maior aliado na construção de uma jornada comunicativa mais livre.

Mantendo o progresso e evitando retrocessos

O cérebro precisa de repetição constante para manter novos caminhos neurais saudáveis. Se você passar um ano sem falar em público após uma experiência positiva, o medo antigo retorna. A evitação prolongada atua como um adubo forte para as sementes da ansiedade social na nossa mente. Você precisa manter o músculo da exposição ativo.

Busque oportunidades de baixo risco para exercitar a sua fala constantemente. Levante a mão para dar opiniões curtas em reuniões de rotina. Brinde o aniversário de um amigo com uma pequena fala afetiva na frente dos convidados. A manutenção do hábito prova ao seu sistema nervoso que o holofote é um lugar seguro.

Recaídas fazem parte do processo terapêutico e não anulam o seu progresso anterior. Se o medo bater forte em algum momento futuro, puxe as ferramentas que nós desenvolvemos aqui. O autoconhecimento adquirido na nossa conversa não desaparece com facilidade. Você agora possui as chaves para destravar a sua própria voz no mundo.

Quadro Resumo: Resiliência e manutenção

  • Brancos na memória devem ser contornados com pausas, água e consulta de notas.
  • A autocrítica exagerada pós-evento precisa ser combatida com foco nos acertos.
  • A prática constante em situações de baixo risco mantém a fobia controlada.
  • Recaídas são naturais e exigem retomada das técnicas já aprendidas, sem culpa.

Exercícios de Fixação Terapêutica

Pratique os dois exercícios abaixo para integrar os conceitos que discutimos na nossa sessão de hoje. A teoria exige aplicação prática para transformar o comportamento.

Exercício 1: O Tribunal das Crenças
Identifique um pensamento muito catastrófico que você tem antes de apresentações. Escreva esse pensamento no papel. Crie três argumentos baseados em fatos reais que provem que esse pensamento é um exagero. Escreva uma nova frase mais realista para substituir a antiga.

Resposta / Exemplo do terapeuta:
Pensamento antigo: “Se eu tremer, todos vão achar que sou burro e vou perder credibilidade”.
Argumentos reais: 1) O nervosismo é comum; 2) Já tremi antes e as pessoas elogiaram meu conteúdo; 3) O valor está na mensagem e não apenas na performance física.
Novo pensamento: “Eu posso sentir ansiedade no corpo, mas o meu conteúdo continua valioso e útil para a plateia”.

Exercício 2: O Scanner Corporal do Relaxamento
Durante três dias desta semana, sente em um lugar calmo por cinco minutos. Feche os olhos e tensione os ombros até as orelhas segurando a respiração por cinco segundos. Solte o ar forte pela boca deixando os ombros caírem. Repita três vezes. O que você sente fisicamente após a prática?

Resposta / Exemplo do terapeuta:
A reposta envolve a percepção de alívio térmico (calor) nos músculos do pescoço, redução do ritmo dos batimentos cardíacos e uma sensação de peso confortável nos membros superiores. O exercício treina o corpo a reconhecer o contraste claro entre a tensão gerada pela ansiedade e o relaxamento voluntário.


Tabela Comparativa de Estratégias Terapêuticas

Ferramenta/TécnicaObjetivo PrincipalMomento de AplicaçãoAção Corporal/Mental
Respiração DiafragmáticaDesligar o sistema de luta ou fuga.Minutos antes de entrar no palco.Inspirar pela barriga lentamente e expirar como um sopro leve.
Exposição GradualDessensibilizar o medo do julgamento social.Semanas antes do grande evento.Treinar sozinho, depois com amigos, até chegar na grande plateia.
Ancoragem de 5 SentidosTrazer a mente do futuro ansioso para o presente.Durante crises de pânico pré-apresentação.Focar os olhos, o tato e a audição em estímulos reais do ambiente atual.
Reestruturação CognitivaQuebrar o viés negativo e o pensamento de catástrofe.Durante a fase de preparação do roteiro ou pós-evento.Questionar racionalmente os pensamentos assustadores com lógica.

Luana

Luana Psico é psicóloga clínica (CRP 07 /2044 formada pela Unicamp, com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental / Psicanálise / Gestalt.  Facebook 
Com 30 anos de experiência, Luana dedica-se a oferecer um espaço seguro, ético e acolhedor para seu público,  adultos e adolescentes] que buscam autoconhecimento e qualidade de vida.   Em sua prática diária, atua ajudando pacientes a lidarem com questões como ansiedade, depressão, estresse, luto e transições de carreira. Instagram  

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