Como o autoconhecimento profundo funciona como um ímã social
Transtornos

Como saber se tenho depressão? Veja 14 sinais para observar

Muitas pessoas chegam ao meu consultório carregando um peso invisível e me pedem para ajudá-las a entender o tema central do nosso encontro de hoje: Como saber se tenho depressão? Veja 14 sinais para observar. Compreender o próprio estado de saúde mental exige coragem e um olhar gentil para si mesmo. Você deu o primeiro passo ao buscar informações seguras sobre o que está sentindo agora. Nossa mente envia alertas sutis quando algo não vai bem e precisamos aprender a decodificar essa linguagem.

A psicologia baseada em evidências nos mostra padrões claros no adoecimento emocional. O sofrimento humano não é uma falha de caráter ou uma fraqueza pessoal. Trata-se de uma alteração complexa envolvendo biologia e vivências dolorosas. Vou conduzir você por essa leitura exatamente como faço com meus pacientes na clínica diária. Sente-se em um lugar confortável e permita-se absorver estas informações de forma tranquila.

Nesta conversa profunda abordaremos os sinais físicos e emocionais do seu corpo. Exploraremos a diferença entre respostas naturais a momentos difíceis e a instalação de um quadro clínico. Você terá ferramentas para observar seu comportamento com a curiosidade de um cientista e a compaixão de um amigo. Vamos mapear juntos o que está acontecendo no seu mundo interno.

Entendendo a diferença clínica entre tristeza e depressão real

A confusão entre estar triste e estar deprimido atrasa o início de tratamentos essenciais. A tristeza funciona como um reflexo de uma perda ou de uma decepção. Você se sente para baixo após um término de relacionamento ou uma demissão. O sentimento faz sentido dentro do contexto e sua intensidade oscila ao longo dos dias.

A depressão clínica opera com regras totalmente diferentes no seu cérebro. O quadro se instala como uma neblina espessa e não precisa de um motivo aparente para existir. Você acorda sentindo um vazio no peito mesmo quando tudo na sua vida parece estar no lugar certo. A dor emocional se torna o plano de fundo constante da sua existência.

No consultório ajudo os pacientes a identificarem a rigidez desse sofrimento. A tristeza permite que você dê risadas de uma piada durante um jantar com amigos. A depressão rouba a capacidade de sentir prazer na mesma situação. Aprender essa diferença tira um peso enorme das suas costas e elimina a culpa por não conseguir simplesmente “pensar positivo”.

O papel da tristeza funcional no nosso desenvolvimento

Nós terapeutas consideramos a tristeza uma emoção primária essencial para a sobrevivência humana. A evolução manteve essa emoção no nosso cérebro porque ela sinaliza a necessidade de recolhimento e reflexão. Quando você fica triste seu corpo pede uma pausa para processar um evento impactante. É um mecanismo perfeito de conservação de energia.

Durante episódios de tristeza normal você consegue identificar claramente a fonte da dor. A mente trabalha focada naquele problema específico para encontrar uma solução ou aceitar a perda. Você chora e desabafa com pessoas de confiança. O processo traz alívio gradativo e a ferida emocional começa a cicatrizar.

A Diferença Entre um Encontro Formal e um Casual
A Diferença Entre um Encontro Formal e um Casual

Reprimir a tristeza causa problemas psicológicos graves no futuro. A sociedade cobra uma felicidade irreal e força as pessoas a esconderem suas dores legítimas. Validar sua tristeza significa permitir que a emoção cumpra seu ciclo natural no seu corpo. Chorar faz parte do processo de cura e não representa nenhum sinal de fraqueza.

A duração e a intensidade dos sentimentos negativos

O fator tempo atua como um critério diagnóstico fundamental na psicologia clínica. A tristeza comum apresenta picos de dor e momentos de trégua. Você chora pela manhã e consegue se concentrar no trabalho à tarde. Os manuais de psiquiatria exigem que os sintomas depressivos estejam presentes na maior parte do dia durante pelo menos duas semanas consecutivas.

A intensidade do sofrimento depressivo paralisa as funções vitais do paciente. A pessoa deprimida descreve a sensação como uma dor física insuportável na região do peito. Um dia ruim comum deixa você desanimado. Um dia depressivo impede você de encontrar sentido em sair da cama.

Acompanhar a frequência desses dias cinzentos ajuda o profissional a fechar o diagnóstico. Peço aos meus clientes para anotarem o próprio humor em um caderno simples. O registro revela o padrão de sofrimento contínuo que caracteriza a doença. Você precisa observar se a nuvem escura se recusa a ir embora independentemente do que aconteça ao seu redor.

O impacto direto na sua rotina funcional

Uma pessoa triste continua operando o próprio sistema de vida com algum esforço. Você cumpre prazos no trabalho e mantém o cuidado com os filhos mesmo com o coração apertado. A funcionalidade básica permanece intacta durante o luto ou a decepção amorosa. O corpo obedece aos comandos lógicos do cérebro.

O transtorno depressivo ataca diretamente a sua capacidade de execução. Tomar um banho se transforma em um desafio exaustivo e monumental. A pia cheia de louça parece uma montanha impossível de escalar. A doença drena o combustível da sua vontade e instaura uma paralisia comportamental severa.

A queda de produtividade alerta as pessoas ao redor antes mesmo do diagnóstico oficial. Faltas no trabalho e cancelamento de compromissos viram rotina. Você começa a funcionar no modo automático de sobrevivência. O gasto de energia mental para fingir normalidade consome os últimos recursos do seu organismo.

Quadro Resumo: Tristeza vs Depressão
A tristeza responde a eventos e permite oscilações de humor. A depressão permanece rígida por mais de duas semanas e destrói a sua capacidade de realizar tarefas simples da rotina diária. Validar as emoções normais previne complicações futuras.

Os primeiros sete sinais silenciosos da depressão no corpo e na mente

O corpo fala através de sintomas físicos muito antes da mente reconhecer o adoecimento. A depressão altera a química cerebral e inflama o organismo como um todo. Você procura médicos de diversas especialidades tentando tratar dores que os exames laboratoriais não explicam. O sistema nervoso central pede ajuda através de disfunções silenciosas.

Nesta etapa começamos a mapear a lista oficial de sinais de alerta. Os sete primeiros sintomas formam o bloco fisiológico e cognitivo da doença. Eles desregulam o seu ritmo biológico e bagunçam funções que antes operavam no piloto automático. Preste atenção aos detalhes da sua fisiologia atual.

Não tente marcar todos os itens desta lista de uma só vez. Um diagnóstico clínico exige a presença de alguns desses fatores combinados e persistentes. Avalie a sua realidade com honestidade e sem julgamentos. O reconhecimento precoce destes sinais físicos muda completamente o curso do tratamento terapêutico.

Alterações drásticas no ciclo do sono e falta de energia

O primeiro sinal observado no consultório é a insônia crônica. Você deita na cama exausto e o cérebro liga um motor de pensamentos catastróficos. O sono fica fragmentado e você acorda de madrugada sem conseguir voltar a dormir. O repouso não repara o cansaço do dia anterior.

O segundo sinal surge no extremo oposto através do excesso de sono. A hipersonia faz você dormir doze horas seguidas e acordar com a sensação de ter corrido uma maratona. A cama vira um refúgio contra a realidade dolorosa. O ato de dormir funciona como um botão de fuga do sofrimento mental.

O terceiro sinal engloba a total falta de energia física e mental. Nós chamamos isso de fadiga crônica ou astenia no vocabulário clínico. O peso da gravidade parece ter dobrado no seu corpo. Você sente as pernas de chumbo e a exaustão domina as suas manhãs logo no primeiro minuto do dia.

Mudanças bruscas no apetite e no peso corporal

O quarto sinal envolve a inibição drástica do apetite. A comida perde o sabor e o cheiro dos alimentos causa repulsa. A mastigação parece exigir um esforço mastodôntico e desnecessário. A perda de peso acontece de forma rápida e assusta os familiares próximos.

O quinto sinal segue o caminho inverso com o aumento do consumo calórico. Você busca alívio emocional através de alimentos ricos em açúcar e carboidratos simples. A mastigação descontrolada tenta preencher o vazio deixado pela falta de neurotransmissores como a serotonina. O ganho de peso agrava a insatisfação com a própria imagem.

A regulação do apetite está intimamente ligada ao centro de recompensa do nosso cérebro. A oscilação brusca na balança reflete uma desorganização química interna grave. O corpo busca estabilidade tentando manipular o metabolismo através da restrição extrema ou da compulsão alimentar desenfreada.

Dificuldade de concentração e falhas de memória

O sexto sinal atinge diretamente as suas funções executivas. A dificuldade de foco impede você de ler uma página de um livro até o final. Assistir a um filme complexo exige uma energia que você não possui. As tarefas do trabalho se acumulam porque a mente divaga constantemente.

O sétimo sinal assusta muitos pacientes devido às falhas de memória recente. Você esquece onde guardou as chaves ou qual era o assunto da reunião. Alguns clientes relatam o medo de estar desenvolvendo demência precoce. O cérebro deprimido diminui a atividade no hipocampo prejudicando a fixação de novas informações.

A sobrecarga de pensamentos negativos rouba a atenção do momento presente. O processamento cognitivo fica muito lento. Você demora o dobro do tempo para formular respostas em uma conversa simples. A neblina mental prejudica o seu desempenho acadêmico e profissional de forma severa.

Quadro Resumo: Sinais Físicos e Cognitivos
O corpo manifesta a depressão através de insônia ou excesso de sono. A fadiga constante tira a energia vital. O apetite oscila drasticamente causando perda ou ganho de peso. A mente perde a capacidade de focar e reter memórias recentes.

Os sete sinais emocionais e comportamentais mais severos

O segundo bloco de sintomas atinge diretamente a essência de quem você é. A dor emocional se intensifica e modifica a sua forma de interagir com o mundo. As pessoas notam que você perdeu o brilho nos olhos e parou de rir das coisas que achava engraçadas. A personalidade parece ter sido engolida por uma sombra espessa.

Na terapia chamamos a atenção para o sofrimento relatado nas entrelinhas. Os sete sinais seguintes representam a face mais dura do transtorno depressivo. Eles constroem a prisão mental que isola o indivíduo da sua rede de apoio afetivo. O processamento dessas emoções requer muito acolhimento e escuta qualificada.

Revisar esses comportamentos pode causar desconforto em um primeiro momento. Você provavelmente vai se identificar com algumas descrições dolorosas. Lembre de respirar fundo e tratar a si mesmo com a mesma paciência que ofereceria a um ente querido. O conhecimento liberta e direciona para a cura.

A Diferença Entre um Encontro Formal e um Casual
A Diferença Entre um Encontro Formal e um Casual

A perda de interesse nas atividades que antes traziam prazer

O oitavo sinal atende pelo nome clínico de anedonia. A anedonia desliga a capacidade de sentir alegria em qualquer atividade. O futebol do fim de semana perde a graça e o hobby favorito passa a ser uma obrigação irritante. O mundo perde o colorido e a comida perde o tempero.

O nono sinal caminha lado a lado com a apatia social e o embotamento afetivo. Você para de se importar com o próprio futuro e com as decisões do dia a dia. A sensação predominante é de um vazio oco na altura do estômago. Você não sente tristeza e também não sente alegria apenas um enorme “tanto faz”.

A quebra do sistema de recompensa cerebral explica cientificamente a anedonia. O seu cérebro para de liberar dopamina nos momentos de lazer. O paciente tenta forçar situações divertidas mas retorna para casa com um sentimento de frustração ainda maior. A cura exige a religação progressiva desses circuitos neuronais na terapia.

O sentimento de culpa excessiva e a irritabilidade constante

O décimo sinal carrega o peso do mundo nas suas costas através da culpa excessiva. Você se sente culpado por estar doente e por dar trabalho aos familiares. A mente cria ruminações intermináveis sobre erros do passado. O autojulgamento adota uma postura implacável e cruel contra as suas atitudes.

O décimo primeiro sinal destrói as suas relações interpessoais através da irritabilidade constante. O pavio fica extremamente curto e qualquer barulho incomoda o seu sistema nervoso. Muitos quadros depressivos masculinos se manifestam exclusivamente através de acessos de raiva e agressividade desproporcional.

O décimo segundo sinal transborda na forma de choro fácil ou constante. Você derruba um copo de água na cozinha e desaba a chorar no chão frio. A represa emocional se rompe diante de qualquer frustração mínima. Algumas pessoas choram no trajeto do trabalho para casa sem motivo aparente.

O isolamento social e os pensamentos de desesperança

O décimo terceiro sinal caracteriza a retirada estratégica do convívio social. O isolamento voluntário afasta você das reuniões de família e dos encontros com amigos. Responder mensagens no WhatsApp causa ansiedade e exaustão. As desculpas para cancelar compromissos se tornam uma especialidade dolorosa.

O décimo quarto sinal exige atenção redobrada envolvendo pensamentos de morte e desesperança profunda. Você acredita que a dor nunca vai passar e que a vida perdeu o sentido. Frases como “eu queria sumir” ou “queria dormir e não acordar mais” começam a dominar o seu diálogo interno. A mente enxerga um beco sem saída.

A presença do décimo quarto sinal demanda intervenção profissional imediata. Pensamentos autodepreciativos graves não devem ser tratados em silêncio. A desesperança deforma a sua percepção de realidade e impede você de ver as possibilidades de tratamento. A dor cega e a ajuda terapêutica funciona como um cão-guia na escuridão.

Quadro Resumo: Sinais Emocionais Severos
A anedonia rouba o prazer de viver e instala a apatia. A culpa irreal e a irritabilidade destroem o convívio saudável. O isolamento social afasta a rede de apoio. Pensamentos de desesperança exigem cuidado imediato e escuta profissional urgente.

O processo terapêutico e o diagnóstico clínico profissional

A validação do seu sofrimento acontece dentro do consultório de psicologia e psiquiatria. Confirmar a presença dos sinais listados representa o início da sua jornada de recuperação. Você não precisa carregar todas as respostas sozinho. O acolhimento profissional retira o peso da dúvida e instaura um plano de ação embasado na ciência.

Como estabelecer regras claras para evitar atritos por redes sociais
Como estabelecer regras claras para evitar atritos por redes sociais

Os profissionais de saúde mental estudam anos para decodificar os sintomas complexos da mente humana. O espaço terapêutico oferece sigilo absoluto e zero julgamentos. O terapeuta atua como um parceiro focado em reconstruir a sua saúde emocional pedra por pedra. O ambiente clínico encoraja a vulnerabilidade e a transparência total.

Muitos clientes sentem medo da palavra diagnóstico por causa dos estigmas sociais. O diagnóstico não define quem você é. O nome da doença serve apenas para guiar o profissional em direção ao melhor tratamento disponível. Ter depressão não anula a sua inteligência e as suas habilidades pessoais.

A avaliação psicológica e os testes validados cientificamente

O processo de diagnóstico inicia com uma escuta atenta da sua história de vida. O psicólogo realiza a anamnese para entender o seu contexto familiar e os seus padrões de comportamento. Mapeamos os traumas do passado e os gatilhos do presente. Cada detalhe ajuda a montar o quebra-cabeça do seu sofrimento atual.

Utilizamos inventários validados cientificamente durante as sessões de avaliação clínica. Os questionários medem a intensidade dos sintomas com precisão estatística e ajudam a classificar o grau da doença. Ferramentas como o Inventário de Depressão de Beck traduzem as suas queixas em dados concretos. A métrica elimina o achismo do tratamento de saúde mental.

A avaliação contínua permite que o terapeuta ajuste a rota das sessões sempre que necessário. O monitoramento dos sinais mapeia a sua evolução ou o seu retrocesso ao longo das semanas. Os testes padronizados mostram a você mesmo o progresso alcançado. Ver os números caindo no gráfico traz muita motivação e esperança.

A importância de não realizar o autodiagnóstico

O excesso de informações na internet cria a ilusão do autodiagnóstico fácil. Você lê meia dúzia de sintomas em um site qualquer e rotula a si mesmo com doenças gravíssimas. O viés de confirmação faz o seu cérebro ignorar as evidências contrárias ao que você deseja acreditar. O autodiagnóstico gera ansiedade e desespero inúteis.

Diversas condições médicas imitam perfeitamente os sintomas da depressão clínica. O hipotireoidismo drena a energia e causa ganho de peso. A deficiência de vitaminas importantes gera confusão mental e choro constante. Apenas um profissional capacitado consegue separar o sofrimento psíquico da falha sistêmica do corpo físico.

O perigo da automedicação anda de mãos dadas com o autodiagnóstico precoce. Consumir remédios naturais ou sobras de receitas antigas agrava o desequilíbrio cerebral existente. Substâncias erradas mascaram os sinais reais e atrasam o diagnóstico verdadeiro. A responsabilidade pela sua saúde exige uma avaliação especializada presencial ou online.

O trabalho conjunto entre terapia e intervenção psiquiátrica

A psicoterapia reconstrói os caminhos neurológicos através do diálogo e da modificação de crenças limitantes. O psicólogo ensina você a questionar pensamentos automáticos e a reagir de forma saudável diante da frustração. A terapia atua na raiz do problema emocional e devolve a autonomia sobre a própria vida.

A psiquiatria entra como aliada fundamental nos casos moderados e graves de depressão. O medicamento antidepressivo fornece uma base química estável para o seu cérebro funcionar. O remédio tira você do fundo do poço para que consiga usar as ferramentas aprendidas na terapia. O uso de fármacos não vicia quando prescrito corretamente.

A parceria entre psicólogo e psiquiatra oferece as maiores taxas de sucesso no tratamento clínico. O terapeuta acompanha o comportamento diário e repassa informações importantes para o ajuste das doses médicas. Você recebe suporte por todos os lados. A equipe multidisciplinar segura a sua mão até a alta definitiva.

Perdão Diário: A Chave do Relacionamento
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Quadro Resumo: Diagnóstico e Tratamento
A avaliação profissional utiliza testes confiáveis para mapear o nível de dor. Evitar o autodiagnóstico impede confusões com problemas físicos reais. O sucesso terapêutico cresce na junção perfeita entre a psicoterapia constante e o suporte psiquiátrico inteligente.

Passos práticos para acolher sua dor e iniciar o tratamento

A confirmação dos sintomas gera alívio mas também assusta. O momento atual pede movimento mesmo na presença da exaustão crônica. As decisões práticas tomadas agora mudam a sua qualidade de vida a curto e médio prazo. A cura exige ação intencional e doses cavalares de paciência com o próprio ritmo.

Os passos iniciais do tratamento não envolvem grandes saltos ou promessas mirabolantes. Focamos no básico bem feito para reconstruir os pilares da sua estabilidade emocional. A terapia cognitivo-comportamental utiliza técnicas simples para reativar o seu interesse pelo mundo exterior. Pequenos acertos diários formam a base da nova saúde mental.

Você retomará o controle da sua rotina através de uma bússola comportamental clara e definida. Abandone a busca pela perfeição nas atividades do dia a dia. Feito imperfeito é melhor do que não feito na presença de um quadro depressivo. Celebre cada conquista minúscula como se fosse uma vitória nas Olimpíadas da vida real.

A estruturação de uma rotina mínima viável

Nós chamamos a primeira técnica prática de Ativação Comportamental clínica. O objetivo principal consiste em criar uma rotina mínima viável que exija pouquíssima energia inicial. A agenda precisa conter atividades simples como tomar banho todos os dias no mesmo horário. O cérebro gosta da previsibilidade.

A técnica orienta você a focar na ação sem depender da motivação interna. A motivação desaparece durante a depressão e esperar por ela prolonga o isolamento social. O segredo está em agir em nome do planejamento mesmo sentindo a força do desânimo. O comportamento puxa a emoção e o ânimo surge no meio do processo.

Divida as tarefas complexas em fatias ridiculamente fáceis de executar. Arrumar o quarto inteiro parece impossível no domingo de manhã. Dobrar apenas o cobertor em cima da cama soa realizável. Você vence a inércia quebrando as atividades em blocos confortáveis e acumulando pequenas vitórias diárias.

A construção de uma rede de apoio segura

A depressão prospera no escuro do isolamento humano absoluto. Escolha pelo menos uma pessoa da sua extrema confiança para compartilhar a verdade sobre os seus sentimentos. Fale sobre o que você aprendeu com os 14 sinais discutidos neste artigo até agora. A vulnerabilidade conecta corações e destrói muros de proteção imaginários.

Eduque as pessoas ao seu redor sobre o funcionamento real da doença mental. A família tenta ajudar oferecendo conselhos equivocados como “saia de casa e vai passear”. Explique a eles que a depressão exige paciência e tratamento técnico especializado. Compartilhe materiais sérios de psicologia clínica para orientar os parentes próximos.

Você pode contar com serviços gratuitos de proteção à vida disponíveis em todo o país. O Centro de Valorização da Vida atende de forma anônima e acolhedora pessoas em crise emocional extrema. Salve números de emergência na agenda do seu telefone celular. Ter acesso rápido à escuta salva vidas nos momentos de angústia intensa.

O que esperar das suas primeiras sessões de terapia

O primeiro contato com o terapeuta foca no acolhimento puro e na construção do vínculo de confiança. Você não precisa contar os piores traumas da sua vida logo nos primeiros minutos. O psicólogo conduz a conversa no seu tempo e respeita o seu silêncio funcional. A sessão inicial parece uma entrevista amigável.

As sessões seguintes começam a desvendar os esquemas mentais disfuncionais presentes na sua história. Nós identificamos pensamentos distorcidos como o famoso “tudo ou nada” e a “catastrofização” dos problemas. Você recebe tarefas práticas como o diário de emoções para preencher ao longo da semana vigente.

A melhora ocorre em ondas e retrocessos fazem parte do processo contínuo de cura. Você sentirá alívio profundo logo no primeiro mês de trabalho interno bem estruturado. A sensação de pertencimento e compreensão cura as feridas da alma de forma poderosa e eficiente. O investimento na terapia transforma completamente a sua percepção de realidade e valor.

Quadro Resumo: Passos Práticos para a Cura
A criação de uma rotina básica combate a paralisia natural da doença. O apoio de pessoas queridas fortalece a caminhada dolorosa. A terapia oferece ferramentas precisas para desativar a rede de pensamentos negativos e reconstruir a capacidade de viver em paz.

Exercícios Práticos para Reforço do Aprendizado

Para transformar todo este conhecimento em prática clínica na sua rotina separei dois exercícios terapêuticos utilizados em meu consultório. Pegue papel e caneta agora mesmo.

Exercício 1: O Registro Diário de Pensamentos Automáticos
Durante os próximos três dias anote em um papel o momento exato em que seu humor cair repentinamente. Escreva qual foi o gatilho da situação no ambiente físico. Em seguida escreva qual pensamento cruzou a sua cabeça e dê uma nota de 0 a 10 para a intensidade da sua tristeza.

Resposta e Interpretação do Exercício 1:
O objetivo desta tarefa consiste em separar o fato gerador da emoção sentida na hora. Se você notou que a sua tristeza atinge a nota 9 apenas porque um colega de trabalho não deu “bom dia” significa que o seu sistema de crenças interpretou a atitude como rejeição pessoal absoluta. O registro tira o sofrimento da mente e coloca no papel tornando o problema mensurável e discutível na sua terapia.

Exercício 2: Divisão de Tarefas (Ativação Comportamental Básica)
Escolha uma única tarefa que você tem adiado por causa do cansaço e da falta de energia física mental e emocional contínua. Agora quebre essa mesma tarefa em três passos absurdamente simples. Comprometa-se a fazer apenas o primeiro passo no dia de hoje.

Resposta e Interpretação do Exercício 2:
Se a tarefa for “Lavar a montanha de louça acumulada” o passo número um será “Lavar apenas os talheres e secar”. A ciência comportamental comprova que iniciar a atividade vence a inércia mecânica. Fazer o micro passo libera pequenas doses de dopamina no cérebro. Se você lavar apenas os talheres o objetivo foi concluído com absoluto sucesso. O orgulho silencioso combate a sensação de inutilidade profunda instalada pela depressão clínica.

Tabela Comparativa dos Estados Emocionais

Critério de ObservaçãoTristeza ComumEsgotamento Físico e Mental (Burnout)Depressão Clínica Grave
Foco do SofrimentoEvento externo específico (término demissão perda luto natural humano).Excesso de cobrança profissional e fadiga sistêmica no ambiente ocupacional contínuo.Sentimento generalizado de vazio desesperança e ruína interna total.
Impacto no PrazerDiminui temporariamente mas responde a estímulos positivos e companhia agradável.A pessoa sente cansaço mas consegue relaxar longe das obrigações profissionais habituais diárias.A anedonia bloqueia o prazer de forma completa e profunda independente do contexto festivo e feliz ao redor.
Duração MédiaOscila durante semanas reduzindo a intensidade gradativamente com a adaptação lógica.Melhora com férias descanso prolongado e mudança de ambiente tóxico urgente e necessária.Permanece inalterada por mais de quinze dias e não responde a descanso viagens ou férias.
Autoimagem PessoalA pessoa mantém a própria identidade e o senso de capacidade intactos durante a fase dolorosa imposta pela vida.A pessoa se sente competente porém totalmente exausta esgotada e cínica em relação ao ofício.A pessoa desenvolve culpa delírios de incapacidade absoluta e ataques à própria honra moral pessoal e social de forma frequente e brutal.

Luana

Luana Psico é psicóloga clínica (CRP 07 /2044 formada pela Unicamp, com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental / Psicanálise / Gestalt.  Facebook 
Com 30 anos de experiência, Luana dedica-se a oferecer um espaço seguro, ético e acolhedor para seu público,  adultos e adolescentes] que buscam autoconhecimento e qualidade de vida.   Em sua prática diária, atua ajudando pacientes a lidarem com questões como ansiedade, depressão, estresse, luto e transições de carreira. Instagram  

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