Síndrome do impostor: como parar de duvidar da sua competência
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Síndrome do impostor: como parar de duvidar da sua competência

A síndrome do impostor: como parar de duvidar da sua competência é um tema que mistura números, crenças e muita emoção, especialmente na vida profissional e financeira de quem vive fazendo conta, meta e entrega o tempo todo. Quando você se sente uma fraude mesmo com resultados concretos, balanços positivos e feedbacks elogiando seu trabalho, isso não é “frescura”, é um fenômeno psicológico bem documentado, ligado à dificuldade de reconhecer o próprio mérito e à tendência de atribuir tudo à sorte, ajuda dos outros ou algum erro de avaliação. Como seu “contador-terapeuta” aqui, a ideia é alinhar suas contas internas com seus resultados externos, para que o que você sente sobre você mesmo não fique sempre em débito com o que você de fato entrega.

O que é a Síndrome do Impostor e por que ela afeta tanto a sua sensação de competência

A síndrome do impostor é caracterizada por uma sensação persistente de que você não é tão competente quanto os outros pensam, mesmo diante de evidências objetivas de sucesso, como diplomas, cargos, metas batidas e reconhecimento profissional. O sujeito olha para o próprio currículo como se fosse uma nota fiscal errada: acha que alguém lançou um crédito indevido, que houve um engano, que em algum momento “vão descobrir” que ele não é tudo aquilo. Na prática, isso cria um conflito contábil interno: o mundo mostra lucro, mas a sua cabeça insiste em registrar tudo como se fosse receita não recorrente, sorte ou acaso.

Em estudos acadêmicos, a síndrome do impostor aparece ligada à dificuldade de internalizar o próprio sucesso, à baixa autoestima e a um perfeccionismo rígido, que define padrões irreais de desempenho. Em vez de enxergar o resultado como produto de competência, esforço e aprendizado, a pessoa interpreta como algo fora do seu controle, quase como se o resultado não pertencesse a ela. Isso gera um ciclo onde cada conquista precisa ser “explicada para baixo”, enquanto qualquer erro vira a “prova” de que ela nunca foi tão boa assim.

Esse fenômeno não aparece só em quem está começando carreira; ele afeta inclusive pessoas consideradas bem-sucedidas em suas áreas, com boa performance, estabilidade e carreira consolidada. Quando você se vê pensando “será que eu mereço mesmo?”, “e se descobrirem que eu não sei tanto assim?”, está lidando com o coração da síndrome do impostor, não com um simples dia ruim. O problema é que esse ruído interno consome energia emocional e mental, afetando produtividade, decisões de carreira e até relacionamentos no trabalho.

Sinais clássicos da síndrome do impostor no seu dia a dia profissional

No dia a dia, a síndrome do impostor se revela em pensamentos como “eu dei sorte”, “enganei o recrutador”, “não estou pronto para esse cargo” e “é questão de tempo até perceberem que eu não sei o suficiente”. Em vez de registrar mentalmente suas entregas como receita legítima, você lança tudo em uma conta chamada “acaso” ou “erro de avaliação dos outros”, como se em breve viesse uma auditoria e ajustasse isso para baixo. O medo constante de ser “desmascarado” faz com que você nunca se sinta autorizado a ocupar o espaço que já conquistou.

Outro sinal forte é a dificuldade de aceitar elogios e feedbacks positivos, como se fossem projeções exageradas, gentilezas ou falta de informação dos outros. A pessoa tende a descontar o valor do próprio trabalho, argumentando que qualquer um faria igual, que não foi nada demais, que o projeto só deu certo porque o cenário estava favorável. Na sua cabeça, os indicadores de performance não contam como “evidência”, enquanto qualquer falha vira um relatório completo de incompetência.

Também é comum procrastinar decisões de carreira ou recusar oportunidades com o argumento de “ainda não estou pronto”, mesmo com histórico sólido e competência comprovada. Esse adiamento crônico funciona como uma forma de autoproteção: se eu não tento, não corro o risco de falhar e “provar” que não sou tão bom. A conta é cruel, porque você evita justamente as experiências que consolidariam sua confiança e confirmariam, na prática, a capacidade que os outros já enxergam em você.

A relação entre síndrome do impostor, perfeccionismo e baixa autoestima

A síndrome do impostor costuma caminhar lado a lado com um perfeccionismo rígido, que transforma qualquer erro em catástrofe emocional. Você estabelece padrões tão altos que, na prática, são inalcançáveis, e depois usa o fato de não alcançá-los como “prova” de incompetência. É como definir uma meta de resultado incompatível com a realidade do mercado e, quando não bate, concluir que a empresa é “um fracasso”, ignorando completamente o contexto.

Ao mesmo tempo, a síndrome do impostor costuma andar grudada em uma autoestima mais baixa. Quanto mais você se sente uma fraude, mais difícil é se enxergar como alguém de valor, alguém que merece reconhecimento pelo que entrega. Essa combinação é perigosa, porque a baixa autoestima alimenta a crença de que você não merece o que tem, e a síndrome do impostor reforça a sensação de que tudo é frágil e temporário.

No fundo, o perfeccionismo aqui não é só “capricho” profissional; ele é uma forma de tentar controlar a ansiedade gerada pelo medo de ser visto como incapaz. Se tudo estiver perfeito, ninguém poderá te criticar, ninguém vai apontar defeitos, ninguém vai questionar seu lugar. Só que essa conta nunca fecha, porque na vida real sempre existe um grau de incerteza, erro e aprendizado, e tentar eliminar isso é como tentar fazer fechamento contábil sem nenhuma despesa, só com receita.

Como a síndrome do impostor impacta decisões financeiras e de carreira

Quando você se sente impostor, costuma subvalorizar seu próprio trabalho, o que atinge diretamente suas decisões de precificação, negociação salarial e propostas de honorários. É o profissional que cobra menos do que o mercado paga, que aceita condições desfavoráveis ou que não revisa seus preços com medo de “não valer tudo isso”. Internamente, a crença é de que, se ele cobrar o valor justo, as pessoas perceberão que ele “não é tudo isso” e abandonarão o serviço.

Esse mesmo padrão aparece nas decisões de carreira: você evita disputar promoções, não se candidata para vagas mais desafiadoras, não assume projetos de visibilidade, sempre com a sensação de “não estar pronto”. Em vez de enxergar uma oportunidade de crescimento, a mente vê um teste que você inevitavelmente reprovaria, então é “mais seguro” ficar onde está, mesmo insatisfeito. Na linguagem financeira, é como recusar investimentos com bom potencial porque você só olha o risco percebido, ignorando completamente a capacidade que já tem para lidar com esse risco.

A longo prazo, isso pode gerar estagnação profissional e frustração, porque o mundo anda, as pessoas crescem, enquanto você se mantém em uma espécie de “limite de crédito interno”, restringindo-se por conta de uma avaliação distorcida de si mesmo. Além de afetar renda, oportunidades e planejamento de carreira, essa postura confirma a narrativa interna de que você “não é capaz de ir além”, criando um ciclo de autossabotagem. Quando você percebe, a sua vida profissional está rodando com uma provisão enorme de medo, muito acima do que os fatos justificam.

Crenças distorcidas: de onde vem essa sensação de ser fraude

A sensação de ser fraude costuma nascer de uma mistura de histórias pessoais, exigências externas e padrões internos impossíveis, e não de uma leitura fria dos seus resultados. Muitas vezes, você aprendeu desde cedo que precisava ser sempre o melhor, tirar as maiores notas, nunca errar, nunca decepcionar, como se sua aceitação dependesse de performance impecável. Isso cria um tipo de “contador interno” que registra qualquer falha, por menor que seja, como débito emocional.

Também é comum ter crescido ouvindo que conquistas são apenas “sua obrigação”, enquanto elogios eram raros ou condicionados a algo extraordinário. Nessa lógica, resultados viram “mínimo esperado”, não motivo de orgulho, então você aprende a ignorar méritos e a focar obsessivamente no que faltou. É como analisar um balanço financeiro só pelos custos e jamais olhar para o faturamento, por mais robusto que seja.

Além disso, ambientes muito competitivos, com cultura de comparação constante, estimulam a impressão de que você está sempre aquém dos colegas, ainda que seus indicadores sejam positivos. Você passa a medir seu valor por referências externas, metas irreais e expectativas alheias, o que naturalmente te coloca em posição de déficit quase permanente. Nessa conta, nunca se chega a um “patrimônio líquido” saudável de autoestima, porque qualquer conquista é relativizada pelo que alguém fez “melhor”.

O papel do perfeccionismo na manutenção da síndrome

O perfeccionismo é um dos motores centrais da síndrome do impostor, porque ele alimenta a ilusão de que, se tudo sair perfeitamente, você finalmente se sentirá legítimo no que faz. Só que esse padrão é tão rígido que você sempre encontra algum detalhe para justificar insatisfação com o próprio desempenho. Isso impede que você reconheça progressos graduais, aprendizados e resultados suficientes, mantendo a sensação de dívida constante com o próprio padrão interno.

Em vez de trabalhar com margens realistas de erro e aprendizado, o perfeccionismo cria metas absolutas: “se não for impecável, está tudo errado”. Uma pequena falha vira o equivalente emocional a um prejuízo gigante, mesmo quando, racionalmente, você sabe que o saldo geral do projeto foi positivo. Na prática, a régua que você usa para se avaliar não é a mesma que usa para avaliar os outros, o que gera um desequilíbrio sistemático contra você.

Esse modo de funcionar faz com que o medo do erro fique superdimensionado: cada novo desafio é lido como um potencial relatório de fracasso em vez de uma chance de crescimento. Em consequência, você tende a sobretrabalhar, revisar demais, checar tudo inúmeras vezes, buscando uma segurança que nunca vem totalmente. É um ciclo pouco eficiente, porque gasta muita energia tentando eliminar riscos normais, em vez de investir essa energia em desenvolvimento estratégico e confiança gradual na sua própria curva de aprendizado.

Como a comparação constante distorce sua autopercepção

Comparar-se o tempo todo com outras pessoas é como usar uma tabela de referência que muda todo dia: você nunca sabe se está, de fato, em uma posição saudável. Na síndrome do impostor, essa comparação costuma ser injusta, porque você pega o melhor desempenho dos outros e compara com seus bastidores, com todas as suas dúvidas, medos e falhas recentes. Isso vira um tipo de contabilidade emocional viciada, sempre inclinada a concluir que “você está atrás”.

Ambientes profissionais que exaltam apenas grandes conquistas, cargos de prestígio e histórias de sucesso sem mostrar os erros do caminho intensificam essa sensação. A impressão é que “todo mundo sabe o que está fazendo”, menos você, que só enxerga suas inseguranças. Como ninguém exibe publicamente as dúvidas que sente nos bastidores, o cenário parece desbalanceado, quando na verdade muita gente ali tem as mesmas inseguranças que você.

Essa dinâmica reforça a crença de que seu padrão “normal” de dúvida significa incapacidade, quando, na verdade, dúvida e medo fazem parte de qualquer processo de crescimento. Se você interpreta esses sentimentos como prova de que “não está à altura”, a tendência é recuar ou se sabotar justamente quando surgem oportunidades relevantes. Em termos de carreira, é como vender um ativo promissor justamente quando ele começa a valorizar, porque você teme que a alta não seja “de verdade”.

Pensamentos automáticos típicos de quem vive como impostor

Quem vive sob a síndrome do impostor tende a ter um repertório bem conhecido de pensamentos automáticos, que aparecem sem convite sempre que algo bom acontece. Frases como “se deu certo, é porque foi fácil”, “se eu consegui, qualquer um consegue”, “foi pura sorte” ou “eu só estava no lugar certo na hora certa” são exemplos típicos dessa autodesvalorização crônica. É como se a sua mente tivesse horror a registrar crédito em seu favor.

Também são comuns previsões catastróficas do tipo “uma hora vão descobrir que eu não sei o suficiente”, “não estou pronto”, “não tenho o perfil”, “não mereço esse reconhecimento”. Esses pensamentos raramente são checados com evidências concretas; eles soam tão familiares que são aceitos como verdade sem questionamento. Assim, cada novo passo na carreira vira um potencial gatilho para esse script mental se repetir.

Esses padrões de pensamento mantêm o ciclo da síndrome do impostor rodando: você diminui suas conquistas, aumenta seus erros, evita riscos, e isso tudo confirma a tese interna de que “não é tão bom assim”. O que falta, geralmente, não é competência técnica ou experiência, mas um processo deliberado de reestruturação desses pensamentos e de registro consciente das evidências a seu favor. Sem isso, você continua fechando balanços internos com base em critérios injustos, que nunca bateriam numa auditoria minimamente honesta.

Estratégias práticas para parar de duvidar da sua competência

Superar a síndrome do impostor não significa nunca mais sentir dúvida; significa aprender a lidar com essas dúvidas de forma mais realista e gentil, sem tratar cada medo como verdade absoluta. É como ajustar o plano de contas da sua mente: você não deixa de ter despesas, mas aprende a registrar também as receitas, o patrimônio, os ativos intangíveis. O foco aqui é construir, passo a passo, um histórico de evidências, hábitos e conversas internas que tragam mais equilíbrio entre o que você faz e o que acredita sobre si.

Uma das primeiras estratégias é reconhecer o problema e dar nome a ele: você não é “fraco”, “dramático” ou “ingrato”; você está lidando com um fenômeno comum, que afeta muita gente competente. Quando você nomeia, fica mais fácil observar o padrão em vez de se confundir com ele. Isso abre espaço para questionar, testar e experimentar novas formas de pensar e agir.

A partir daí, entra a parte mais contábil da história: registrar suas conquistas, revisitar feedbacks positivos, documentar momentos em que você realmente fez diferença. Isso funciona como um extrato bancário da sua competência, para ser consultado nos momentos em que o saldo emocional parece negativo. Não resolve tudo de uma vez, mas te impede de tomar decisões importantes baseadas apenas na oscilação do humor do dia.

Documentar conquistas como se fossem lançamentos contábeis

Uma técnica muito útil é criar um “livro razão” pessoal de conquistas, em que você registra não só resultados finais, mas também o esforço envolvido, aprendizados e feedbacks de outras pessoas. Em vez de confiar só na memória, que tende a subestimar o que você fez de bom, você passa a ter um registro histórico, como um diário profissional. Esse documento pode incluir projetos concluídos, elogios, metas batidas, situações difíceis que você conseguiu manejar.

Ao revisar regularmente esse material, você começa a perceber padrões que o pensamento automático não mostra: consistência, evolução, capacidade de adaptação, resiliência. É como analisar balanços de vários anos e notar que, mesmo com oscilações, a tendência geral é de crescimento, não de queda. Isso vai criando um senso de continuidade, em vez da impressão de que cada conquista isolada foi apenas “sorte do dia”.

Esse tipo de registro ajuda especialmente em momentos de transição: assumir um novo cargo, pegar um projeto maior, negociar aumento, mudar de área. Em vez de chegar nessas conversas apoiado só em sensações voláteis, você chega com dados da sua própria história, o que fortalece sua postura e reduz a chance de se sabotar por insegurança. Com o tempo, esse “livro razão” passa a ser um ativo precioso da sua autoconfiança.

Reestruturar pensamentos distorcidos com base em evidências

Outra estratégia central é aprender a questionar seus pensamentos automáticos, em vez de aceitá-los como verdade imediata. Sempre que surgir a frase “não sou capaz” ou “sou uma fraude”, você pode se perguntar: “que evidências reais eu tenho disso?” e “que evidências existem do contrário?”. Esse tipo de pergunta muda a conversa de julgamento para análise, do emocional puro para algo mais próximo de uma auditoria interna.

Uma boa prática é imaginar o que você diria a um amigo na mesma situação. Dificilmente você diria a ele que ele é uma fraude só porque errou algo ou porque sente medo ao encarar um desafio maior. Provavelmente, você lembraria de tudo o que ele já fez, dos esforços, dos aprendizados, dos contextos. Fazer esse mesmo exercício consigo é uma forma de aplicar a mesma política contábil que você usa para os outros também nos seus próprios números.

Esse processo de reestruturação não elimina totalmente os pensamentos negativos, mas enfraquece a autoridade deles. Com o tempo, você começa a reconhecê-los como “velhos scripts”, e não como diagnósticos confiáveis sobre quem você é. A sensação de ser impostor deixa de ser uma sentença e passa a ser um sinal de que você está enfrentando algo importante, saindo da zona de conforto, crescendo.

Ajustar expectativas e aceitar a curva de aprendizado

Muitas pessoas sentem a síndrome do impostor porque definem expectativas irreais sobre como “deveriam” se sentir ao assumir algo novo. Acreditam que, para merecer um cargo ou projeto, já deveriam se sentir completamente seguros, dominando todos os detalhes desde o primeiro dia. Na vida real, porém, competência se constrói ao longo do caminho, com dúvidas, erros pontuais e muito aprendizado prático.

Uma orientação importante é revisar se as metas e expectativas que você está impondo a si não são inalcançáveis no prazo e nas condições atuais. Exigir desempenho de maratonista de alguém que está começando a treinar é uma receita certa para frustração, por mais disciplinada que a pessoa seja. Em vez disso, vale trabalhar com metas progressivas, objetivos de curto prazo mais realistas e momentos de revisão da rota.

Aceitar que existe uma curva de aprendizado não significa ser negligente; significa reconhecer que faz parte do jogo aprender fazendo, pedir ajuda, errar em pequeno grau e ir corrigindo. Em termos emocionais, isso dá espaço para você estar em construção sem se sentir uma fraude. Você não precisa estar plenamente pronto para começar; precisa, sim, estar disposto a aprender e a sustentar o desconforto natural de quem está crescendo.

Construindo uma relação mais saudável com seu desempenho

Criar uma relação mais saudável com seu próprio desempenho é como redesenhar um relatório gerencial interno: você passa a olhar não só o que falta, mas também o que já está sólido, o que está em construção e o que está fora do seu controle. Isso não te transforma em alguém acomodado, mas em alguém mais justo na leitura da própria história. Você continua aprimorando, mas sem aquela dívida emocional eterna que a síndrome do impostor adora alimentar.

Um dos pilares dessa nova relação é a autocompaixão, que não tem nada a ver com vitimismo e tudo a ver com tratar a si mesmo com a mesma humanidade com que você trataria um cliente ou colega em dificuldade. Em vez de se chicotear mentalmente a cada deslize, você pode perguntar “o que eu posso aprender daqui?” e “o que eu fiz de bom, apesar de não ter sido perfeito?”. Isso reduz a intensidade da autocobrança e libera energia para ajustes mais produtivos.

Outro pilar é construir um sistema de apoio: gente com quem você possa conversar sobre suas inseguranças sem medo de julgamento. Ao ouvir que outras pessoas, inclusive mais experientes, também sentem dúvidas parecidas, você percebe que não está só nem “defeituoso”. Essa troca ajuda a colocar suas angústias numa escala mais realista.

Praticar autocompaixão sem perder responsabilidade

Autocompaixão é a habilidade de reconhecer que você é humano, que erra, que tem limites, e ainda assim merece respeito e cuidado de si mesmo. Na prática, significa substituir o discurso interno cruel por uma voz mais parecida com a de um mentor firme, mas justo. Você continua se responsabilizando pelos seus atos, mas sem transformar cada falha em um atestado geral de incompetência.

Quando você erra, em vez de pensar “eu sou um desastre”, pode pensar “eu errei nisso, o que posso ajustar?”. Essa mudança parece sutil, mas é a diferença entre atacar sua identidade inteira e lidar com um ponto específico que pode ser melhorado. Assim, você preserva seu senso de valor enquanto trabalha para corrigir rotas e aprimorar habilidades.

Essa postura diminui o medo paralisante de falhar, porque você sabe que, se algo der errado, você terá capacidade de olhar para o erro, aprender e seguir. Isso encoraja tentativas, inovação, pedidos de ajuda na hora certa. Em resumo, autocompaixão não te tira responsabilidade; ela tira o drama desnecessário que impede o aprendizado.

Construir uma rede de apoio sincera e funcional

Ter uma rede de apoio confiável faz uma diferença enorme para quem luta com a síndrome do impostor. Isso inclui colegas, mentores, amigos ou até grupos profissionais em que seja possível falar abertamente sobre medos e dúvidas. Em vez de carregar tudo sozinho, você passa a ter diferentes visões sobre a mesma situação, o que ajuda a corrigir distorções da sua própria percepção.

Essa rede também serve para devolver feedbacks mais alinhados com a realidade: muitas vezes, você interpreta um resultado como “apenas ok”, enquanto alguém de fora enxerga um avanço importante. Ao escutar isso repetidas vezes, com exemplos concretos, você começa a recalibrar sua régua interna. Essa calibragem não é instantânea, mas vai somando pequenas correções de curso.

Além disso, ter um espaço onde você vê outras pessoas compartilhando seus próprios medos ajuda a normalizar a experiência de dúvida, tirando um pouco do peso de “só eu me sinto assim”. Saber que até profissionais muito bem-sucedidos passam por isso abre espaço para você olhar para sua própria insegurança com menos vergonha e mais curiosidade. A partir daí, pedir suporte profissional, como terapia ou mentoria, também fica mais natural.

Cuidar do seu corpo e da sua rotina para reduzir vulnerabilidade emocional

Embora a síndrome do impostor seja um fenômeno cognitivo e emocional, seu corpo também entra na conta. Sonos ruins, alimentação precária, falta de movimento e excesso de trabalho aumentam a vulnerabilidade a pensamentos negativos e autocríticos. Você já percebeu como tudo parece pior quando está exausto, com prazos acumulados e sem descanso real?

Cuidar da saúde física não resolve sozinho a síndrome do impostor, mas reduz o “ruído de fundo” emocional que amplifica a autocrítica. Pequenos hábitos como dormir em horários mais regulares, alimentar-se minimamente bem, praticar algum movimento e incluir pausas reais na agenda já fazem diferença no humor e na clareza mental. Com a mente menos sobrecarregada, fica mais fácil questionar pensamentos distorcidos e não se deixar arrastar por eles.

Práticas como momentos de silêncio, respiração consciente ou meditação também podem ajudar a desacelerar o fluxo de pensamentos, criando espaço para observar sem se fundir com cada ideia ruim que aparece. Não é uma “cura mágica”, mas um apoio para você voltar para o centro quando a mente começa a dramatizar cada pequeno erro como se fosse o fim da sua carreira. Com o tempo, você percebe que pode sentir medo e, ainda assim, agir com responsabilidade e coragem.

Exercícios práticos para consolidar o aprendizado

Para que tudo isso saia do campo das ideias e entre na sua rotina, vale fazer alguns exercícios bem concretos, como se você estivesse fechando um balanço mensal da sua autopercepção. A ideia é transformar conceitos em práticas simples, repetíveis, que aos poucos vão mudando a forma como você lida com sua competência, suas dúvidas e sua história profissional. Esses exercícios não exigem ferramentas complexas, só um pouco de tempo, honestidade e disposição para se olhar de um jeito mais justo.

Exercício 1 – Diário de evidências de competência

Proposta: durante 30 dias, você vai anotar, ao final de cada dia, três sinais de competência que você demonstrou. Podem ser coisas pequenas, como ter finalizado uma tarefa difícil, ter pedido ajuda na hora certa, ter organizado melhor sua agenda, ter recebido um elogio, ter solucionado um problema de um cliente. O objetivo é treinar seu olhar para reconhecer fatos que contradizem a história de que você “não é bom o suficiente”.

Passo a passo

  1. Separe um caderno ou arquivo digital só para isso.
  2. Todos os dias, anote a data e liste três fatos concretos em que você atuou com competência (técnica, emocional ou relacional).
  3. Uma vez por semana, releia as anotações e sublinhe o que mais te surpreende positivamente.

Resposta esperada

Depois de algumas semanas, é comum perceber um padrão de consistência: você começa a enxergar que, apesar dos dias ruins, existe um histórico real de entregas, decisões acertadas e evolução. Isso não faz sumir a sensação de impostor da noite para o dia, mas fragiliza a tese de que tudo foi apenas sorte ou engano. Aos poucos, esse diário se torna uma espécie de extrato bancário da sua competência, disponível para consulta quando a dúvida vier com força.

Exercício 2 – Conversa escrita com seu “crítico interno”

Proposta: você vai escrever um diálogo entre duas partes suas: o “Crítico Interno” (que diz que você é fraude) e o “Contador Realista” (que responde com dados e humanidade). A ideia é tirar esses pensamentos da cabeça e colocá-los no papel, para que você possa enxergar melhor o exagero de certas falas e testar respostas mais equilibradas.

Passo a passo

  1. Em uma folha, escreva uma situação recente em que se sentiu impostor, por exemplo ao receber um elogio, uma promoção ou um novo projeto.
  2. Embaixo, escreva “Crítico Interno:” e deixe essa voz falar livremente por alguns parágrafos, com todos os medos e acusações que normalmente aparecem.
  3. Depois, escreva “Contador Realista:” e responda ponto a ponto, trazendo fatos, histórico, esforço, contextos e o que você diria a um amigo na mesma situação.

Resposta esperada

Ao final do exercício, você tende a perceber que o Crítico Interno é dramático, generaliza e desconsidera dados importantes. Já o Contador Realista não nega desafios, mas mostra nuances, lembra conquistas, reconhece o que foi feito de bom e o que ainda está em construção. Com a prática, essa voz realista começa a aparecer sozinha no dia a dia, funcionando como um antídoto mais rápido contra as crises de “sou uma fraude”.

Luana

Luana Psico é psicóloga clínica (CRP 07 /2044 formada pela Unicamp, com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental / Psicanálise / Gestalt.  Facebook 
Com 30 anos de experiência, Luana dedica-se a oferecer um espaço seguro, ético e acolhedor para seu público,  adultos e adolescentes] que buscam autoconhecimento e qualidade de vida.   Em sua prática diária, atua ajudando pacientes a lidarem com questões como ansiedade, depressão, estresse, luto e transições de carreira. Instagram  

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