A importância de desconectar dos celulares para conectar com o outro é o tema central que precisamos auditar hoje no seu relacionamento. Você já parou para olhar o extrato da sua atenção ultimamente e percebeu quanto tempo está investindo em pixels em vez de investir em quem dorme ao seu lado. O celular se tornou um terceiro elemento na cama que não foi convidado mas que consome toda a energia vital da parceria. Entenda que a palavra-chave aqui é desconectar dos celulares para conectar com a pessoa real que está na sua frente esperando por um olhar sincero.
O Impacto Silencioso das Telas na Intimidade
Olha só como as coisas funcionam na contabilidade do amor. Cada minuto que você passa rolando o feed de uma rede social é um minuto de déficit na conta da atenção do seu parceiro. O impacto das telas é silencioso porque ele não causa uma briga explosiva de imediato mas vai corroendo os alicerces da confiança. É como uma pequena taxa bancária que você não percebe mas que no fim do ano liquidou todo o seu lucro emocional.
Você já sentiu aquela sensação de estar falando com uma parede enquanto a pessoa que você ama digita freneticamente no WhatsApp. Essa falta de presença física e mental gera um vazio que nenhuma notificação de curtida pode preencher de verdade. O silêncio que antes era de cumplicidade agora é preenchido pelo brilho azul das telas que isolam cada um em seu próprio mundo. Precisamos rever esses lançamentos contábeis da sua vida afetiva antes que a falência da intimidade seja declarada.
Como terapeuta eu vejo casais que moram na mesma casa mas vivem em continentes digitais diferentes. Eles sabem o que o vizinho postou no almoço mas não fazem ideia de como foi o dia de trabalho do cônjuge. O uso excessivo do celular cria uma barreira invisível que impede o fluxo de afeto e de conexão real entre os dois. Você está disposto a continuar pagando esse juro alto por uma diversão barata e passageira que o algoritmo te oferece.
O fenômeno do phubbing e a desvalorização do parceiro
O termo phubbing parece inofensivo mas ele é um verdadeiro rombo no seu balanço patrimonial amoroso. Ele acontece quando você prefere o celular à companhia da pessoa que está com você em um jantar ou no sofá. É uma forma de dizer sem palavras que o que acontece na internet é muito mais interessante do que o ser humano ao seu lado. Essa desvalorização constante cria feridas profundas na autoestima de quem é deixado de lado pelo aparelho.
Imagine que você está contando um sonho ou um medo e o outro nem levanta os olhos da tela para te ouvir. Isso sinaliza uma falta de importância que vai acumulando ressentimento no fundo do coração como uma dívida não paga. Com o tempo você para de tentar falar e a distância entre vocês aumenta de forma geométrica e perigosa. O phubbing é o cupim que devora a madeira da relação sem fazer barulho até que tudo desabe de uma vez.
Você já se pegou fazendo isso e justificando que era apenas uma mensagem rápida de trabalho ou um meme engraçado. Saiba que para quem está do outro lado essa desculpa não fecha a conta da carência de presença. O seu parceiro precisa sentir que é a sua prioridade absoluta naquele momento de convivência e lazer. Mude essa postura hoje mesmo e mostre que a pessoa real vale muito mais do que qualquer perfil virtual de sucesso.
A fragmentação da atenção e a perda do diálogo profundo
A nossa atenção hoje é como um orçamento apertado que precisa ser dividido entre mil tarefas diferentes. O celular fragmenta o foco em pedaços tão pequenos que não sobra nada para uma conversa que dure mais de cinco minutos. Vocês começam a falar sobre algo importante e uma notificação de e-mail interrompe o raciocínio e o sentimento. Essa perda de profundidade transforma o casal em dois estranhos que só discutem a logística da casa e os boletos.
O diálogo profundo exige tempo de maturação e um ambiente sem distrações para que a vulnerabilidade apareça. Sem a conexão total você nunca vai saber o que realmente aflige a alma de quem você escolheu para dividir a vida. As conversas ficam superficiais e mornas como um café que foi esquecido na mesa durante uma reunião longa. Você acaba perdendo a chance de crescer junto com o outro por causa de uma distração inútil e passageira.
Como contador da sua história eu te digo que a falta de foco é um prejuízo que você não pode ignorar. O diálogo é a moeda de troca do amor e se ela está desvalorizada a relação perde o seu poder de compra emocional. Recupere a capacidade de ouvir sem interrupções e de falar sem o medo de ser trocado por um vídeo curto de rede social. A profundidade é o que garante que o vínculo resista aos invernos rigorosos que toda caminhada a dois enfrenta.
O cérebro em modo de alerta constante e a ansiedade compartilhada
O celular mantém o nosso sistema nervoso em um estado de prontidão que impede o relaxamento necessário para o afeto. Cada bipe ou vibração dispara uma carga de cortisol que te deixa em modo de luta ou fuga constante. Como é que você vai se entregar a um momento de carinho se o seu cérebro está preocupado com a próxima notificação. Essa ansiedade é contagiosa e acaba criando um clima de tensão permanente dentro do seu lar.
Quando os dois estão conectados o tempo todo o estresse do mundo externo invade o santuário da relação sem pedir licença. Vocês trazem os problemas da empresa e as tragédias do jornal para dentro da cama através das telas. Isso impede que o corpo e a mente entendam que ali é um lugar de descanso e de recarga de energias. O resultado é um casal exausto que não tem disposição para nada além de rolar o feed até cair no sono.
Você precisa entender que o seu cérebro precisa de pausas de desconexão para poder processar as emoções do dia. Sem esse tempo de silêncio digital a sua paciência fica curta e qualquer discussão boba vira uma tempestade financeira. Proteja a sua saúde mental e a do seu parceiro limitando o acesso ao caos do mundo exterior durante os momentos de vocês. A paz doméstica é um ativo que não tem preço mas que exige uma gestão rigorosa do uso da tecnologia.
Estratégias Práticas para o Detox em Casal
Não adianta apenas reclamar do problema se você não criar um plano de ação para reduzir esse passivo digital. O detox em casal funciona como uma reestruturação de dívidas onde vocês concordam em abrir mão de certos vícios em prol do bem comum. São passos simples que exigem disciplina mas que trazem um retorno imediato na qualidade do tempo compartilhado. Vamos colocar as cartas na mesa e definir novas regras de conformidade para o uso dos aparelhos.
Criando zonas livres de tecnologia dentro de casa
A primeira medida é demarcar territórios onde o celular é terminantemente proibido para ambos. A mesa de jantar e o quarto são os melhores lugares para começar essa política de exclusão digital saudável. Quando vocês entram nesses espaços o aparelho deve ficar guardado em uma gaveta ou em outro cômodo da casa. Isso força a interação direta e cria um refúgio seguro para a troca de olhares e de palavras sinceras.
Imagine a liberdade de jantar sem o medo de ser interrompido por um grupo de trabalho ou por uma notícia ruim. Vocês voltam a saborear a comida e a presença um do outro sem a pressão de responder a ninguém fora dali. Esse limite físico ajuda a treinar o cérebro para entender que existem momentos sagrados que a tecnologia não pode tocar. É um investimento em privacidade que fortalece o muro de proteção do seu relacionamento contra as invasões externas.
Se você acha difícil começar por todo o quarto tente ao menos proibir o celular nos primeiros trinta minutos antes de dormir. Use esse tempo para conversar ou para fazer um carinho sem a luz azul atrapalhando a produção de melatonina do seu corpo. Você vai perceber que o seu sono será melhor e a sua conexão com o parceiro ficará muito mais fluida e prazerosa. As zonas livres de tecnologia são os oásis de humanidade que o seu relacionamento precisa para sobreviver no deserto digital.
Estabelecendo horários de silêncio digital compartilhado
Além dos espaços físicos você deve criar janelas de tempo onde os celulares ficam no modo avião ou desligados. Pode ser uma hora por noite ou o domingo de manhã dedicado exclusivamente a atividades analógicas e presenciais. Esse silêncio digital permite que vocês escutem o que o outro tem a dizer com a alma e não apenas com os ouvidos. É um acordo de cavalheiros que demonstra respeito mútuo e compromisso real com a felicidade do par.
No começo você pode sentir uma certa abstinência ou um desconforto por não ter nada para fazer com as mãos. Use esse tempo para redescobrir o prazer de uma conversa sem rumo ou de uma brincadeira boba que vocês faziam no início. O silêncio compartilhado é um dos maiores sinais de intimidade que um casal pode alcançar ao longo dos anos. Vocês não precisam de ruído externo para se sentirem preenchidos e felizes na companhia um do outro.
Estabeleça esse horário como uma reunião de diretoria da empresa mais importante da sua vida que é a sua família. Nada pode ser mais urgente do que o bem-estar de quem você ama e que está ali do seu lado pedindo atenção. Se alguém ligar ou mandar mensagem saiba que o mundo não vai acabar se você responder apenas no dia seguinte. Aprenda a priorizar o que é importante em vez de ser escravo do que é apenas urgente aos olhos dos outros.
Substituindo o scroll infinito por rituais de presença
O vício de rolar a tela sem objetivo é um ralo por onde escorre todo o seu tempo de qualidade com o parceiro. Substitua esse comportamento por pequenos rituais que exijam a participação ativa de vocês dois na vida real. Pode ser preparar um chá juntos ou fazer uma caminhada curta pelo bairro para ver o pôr do sol. O objetivo é trocar a passividade da tela pela atividade da presença física e do movimento conjunto.
Esses rituais funcionam como âncoras que mantêm o barco da relação firme durante as marés altas da rotina estressante. Quando vocês criam o hábito de se conectarem sem aparelhos vocês fortalecem a amizade e a cumplicidade. É muito mais gratificante rir de uma situação real do que rir sozinho de um vídeo que você vai esquecer em cinco minutos. Invista em experiências que gerem memórias duradouras e não em conteúdos que expiram em vinte e quatro horas.
Como sua amiga terapeuta eu te desafio a deixar o celular carregando em outro quarto enquanto vocês tomam um café da tarde. Sinta o cheiro da bebida e perceba o tom de voz do seu parceiro sem a distração das notificações vibrando no seu bolso. A vida acontece no agora e se você estiver olhando para a tela você vai perder os melhores lances do seu próprio jogo. O ritual de presença é a melhor forma de dizer que você está aqui de corpo e alma para o que der e vier.
A Reconstrução da Presença e do Olhar
O olhar é a janela da alma e o celular fechou essa persiana de forma brusca na maioria dos lares modernos. Reconstruir a presença exige que você reaprenda a ler os sinais não verbais que o seu parceiro emite o tempo todo. A conexão real acontece no brilho dos olhos e no toque das mãos que a tecnologia ainda não consegue reproduzir com fidelidade. Vamos trabalhar para que vocês voltem a ser especialistas um no outro em vez de serem especialistas em algoritmos de redes sociais.
A importância do contato visual para a regulação emocional
Quando você olha nos olhos do seu parceiro o seu cérebro libera ocitocina que é o hormônio do vínculo e do amor. O celular impede essa troca química vital e deixa o casal em um estado de carência biológica constante. O contato visual transmite segurança e compreensão de uma forma que as palavras escritas em uma tela jamais conseguiriam. É através do olhar que vocês se reconhecem como parceiros de jornada e se acalmam mutuamente nas crises.
Tente manter o olhar por mais de cinco segundos durante uma conversa importante e sinta a diferença na conexão emocional. Você vai perceber nuances na expressão dele que o celular escondia de você por puro egoísmo digital. Esse exercício simples ajuda a regular os batimentos cardíacos e a baixar o nível de estresse de ambos instantaneamente. O olho no olho é o contrato de confiança que vocês renovam todos os dias sem precisar de assinatura ou de cartório.
Não deixe que o seu parceiro se sinta invisível por causa de um aparelho de plástico e vidro que custou alguns milhares de reais. O valor dele para você é imensurável e deve ser demonstrado através de uma atenção plena e focada. Se você quer que ele te veja de verdade você precisa começar por dar o exemplo e baixar a sua guarda tecnológica. O olhar é a ferramenta mais poderosa de sedução e de manutenção do desejo que vocês possuem em mãos.
Resgatando a escuta ativa sem interrupções de notificações
Ouvir de verdade é um ato de generosidade que exige que você desligue o barulho interno e externo para focar no outro. A notificação que chega no meio de um desabafo é como uma pedra jogada em um lago tranquilo de sentimentos. Ela quebra o fluxo da fala e faz com que quem está contando algo se sinta interrompido e desvalorizado. Resgate a capacidade de ouvir até o fim sem a tentação de dar uma olhadinha rápida na tela que acendeu.
A escuta ativa envolve fazer perguntas que mostram que você está acompanhando o raciocínio e o sentimento do parceiro. Mostre que você se importa com os detalhes daquela história e que a opinião dele é o que mais conta para você agora. Quando você ouve sem interrupções você cria um espaço de cura e de acolhimento que fortalece demais o vínculo afetivo. O silêncio do celular é o som mais bonito que uma conversa de casal pode ter para ser produtiva.
Muitas vezes o seu parceiro não quer uma solução técnica para o problema dele mas apenas o seu ouvido atento e amigo. Se você está com o celular na mão você passa a imagem de que está com pressa de terminar aquela interação chata. Mude essa percepção deixando o aparelho de lado e oferecendo a sua presença total como um presente valioso. A escuta é o maior ativo que você pode oferecer para o crescimento e a estabilidade da sua sociedade amorosa.
Validando o outro através da linguagem corporal consciente
O seu corpo fala muito mais do que a sua boca e o celular distorce toda a sua postura física diante do outro. Quando você está curvada sobre a tela você fecha o seu peito e envia um sinal de isolamento e desinteresse para o ambiente. Uma postura aberta e voltada para o parceiro demonstra disponibilidade emocional e convite para a aproximação e o carinho. Esteja consciente de como você se senta e se move quando está na companhia de quem você ama.
Um toque no braço ou um abraço inesperado valem mais do que mil emojis enviados por um aplicativo de mensagens. O calor da pele e a pressão do abraço são nutrientes essenciais para a saúde da relação que o mundo digital ignora. Use o seu corpo para validar a presença do outro e para mostrar que você sente prazer em estar perto fisicamente. A linguagem corporal é o código secreto que mantém a chama da paixão acesa apesar do passar dos anos e das rotinas.
Observe se você se afasta quando o celular toca ou se você mantém a conexão física mesmo com o mundo chamando lá fora. Priorize o toque real em vez do toque na tela fria do smartphone que não retribui o seu afeto de volta. A validação física gera uma sensação de segurança e de pertencimento que é a base de qualquer relacionamento duradouro e feliz. Seja presente por inteiro e não apenas uma cabeça que balança enquanto os dedos digitam em outro lugar.
Gestão do Tempo Digital e Saúde Relacional
Gerenciar o seu tempo digital é como gerenciar as suas economias para garantir uma aposentadoria tranquila e farta. Se você gasta tudo agora com futilidades não sobrará nada para o que realmente importa quando o tempo passar. A saúde do seu relacionamento depende diretamente do equilíbrio entre a vida conectada e a vida vivida olho no olho. Vamos analisar onde estão os vazamentos de tempo na sua rotina e como estancá-los para salvar a sua parceria.
Auditando o uso de redes sociais em momentos de lazer
As redes sociais são desenhadas para te manter presa a elas o máximo de tempo possível através de estímulos constantes. Você precisa auditar quanto do seu tempo de lazer com o parceiro está sendo roubado por algoritmos de entretenimento barato. Se o final de semana de vocês se resume a cada um em seu celular vocês estão desperdiçando um recurso valioso. O lazer deve ser um investimento em experiências compartilhadas e não um isolamento individual em grupo.
Tente passar um sábado inteiro sem abrir nenhuma rede social e veja como o seu dia parece render muito mais do que o normal. Você vai ter tempo para conversar para brincar para cozinhar e para simplesmente não fazer nada com qualidade. As redes sociais criam uma falsa sensação de conexão enquanto te afastam de quem está sentado ao seu lado no sofá. Recupere a soberania do seu tempo livre e decida onde você quer investir a sua energia de forma consciente.
Compare o prazer de uma tarde de conversa real com a exaustão mental de ver a vida perfeita dos outros por horas a fio. A vida real é imperfeita mas é a única que te oferece afeto verdadeiro e suporte nos momentos de dificuldade real. Não troque o seu ouro emocional pela bijuteria digital que brilha mas não aquece o coração de ninguém de verdade. A auditoria do tempo é o primeiro passo para uma vida a dois muito mais rica e satisfatória em todos os sentidos.
Diferenciando o uso funcional do celular do uso escapista
Existe uma grande diferença entre usar o celular para resolver um problema real e usá-lo para fugir de um desconforto emocional. O uso funcional é rápido e objetivo como pagar uma conta ou marcar um médico pelo aplicativo da operadora. O uso escapista é aquele onde você entra na tela para não ter que lidar com o tédio ou com uma conversa difícil. Aprenda a identificar esses momentos de fuga e enfrente a realidade ao lado do seu parceiro com coragem.
Quando você se esconde no celular você está evitando a oportunidade de resolver um conflito ou de aprofundar a intimidade. É como se você estivesse sacando dinheiro do fundo de reserva da relação para pagar uma diversão que não te traz nenhum lucro real. Enfrente o silêncio e o desconforto da presença física sem muletas digitais para descobrir o que realmente está acontecendo entre vocês. O escapismo digital é uma armadilha que adia os problemas mas aumenta os juros da discórdia a longo prazo.
Use o celular como uma ferramenta de trabalho e de utilidade e não como uma chupeta eletrônica para adultos que não sabem lidar com a vida. Se você está entediada com a relação converse sobre isso em vez de buscar distração em perfis de pessoas desconhecidas. A verdade pode ser dolorosa mas é a única que permite a reconstrução de um vínculo que está se desgastando pelo tempo. O uso consciente da tecnologia é um sinal de maturidade emocional e de respeito pelo investimento afetivo que vocês fizeram um no outro.
O impacto da luz azul no sono e na libido do casal
A biologia não perdoa o uso excessivo de telas antes de dormir e o prejuízo aparece na sua disposição física e sexual. A luz azul inibe a produção de melatonina e mantém o seu corpo em um estado de vigília artificial que prejudica o descanso. Um casal que não dorme bem é um casal irritado impaciente e com o saldo de tolerância no limite do vermelho. Além disso o cansaço acumulado mata o desejo e transforma a cama em apenas um lugar de recuperação física básica.
Substitua o celular por um livro ou por uma conversa suave para preparar o seu organismo para um sono restaurador e profundo. Você vai perceber que a sua libido vai aumentar quando o seu corpo estiver relaxado e livre da ansiedade das redes sociais. O quarto deve ser um lugar de conexão sensorial e não um laboratório de luzes artificiais que confundem o seu sistema nervoso. Invista na qualidade do seu sono como quem investe em um fundo de renda fixa para garantir a saúde da relação.
A falta de sexo e de carinho físico muitas vezes começa no hábito de cada um ficar em seu canto da cama olhando para o próprio aparelho. A luz da tela cria uma barreira visual que impede o clima de romance e de entrega que a intimidade exige para florescer. Desligue os aparelhos e ligue-se no corpo e nas reações do seu parceiro para manter a chama acesa por muito mais tempo. A saúde relacional passa pela saúde física e a tecnologia é um grande obstáculo para ambas se não for bem gerenciada.
Criando um Futuro Conectado sem Dependência
Olhar para frente exige que vocês construam uma cultura familiar onde o ser humano é sempre mais importante do que o dispositivo eletrônico. Vocês são os gestores dessa nova mentalidade e precisam dar o exemplo para que a próxima geração não herde os mesmos vícios digitais. Criar um futuro conectado exige desprendimento e uma vontade firme de manter a humanidade no centro de todas as decisões. O lucro dessa escolha será uma família muito mais unida e resiliente diante das pressões tecnológicas do mundo moderno.
Ensinando limites digitais para os filhos pelo exemplo
Seus filhos não vão ouvir o que você diz sobre o celular se eles virem você grudada na tela o dia inteiro sem interrupção. O exemplo é a ferramenta pedagógica mais poderosa que existe na gestão de uma família saudável e feliz ao longo dos anos. Mostre para eles que você é capaz de deixar o aparelho de lado para brincar para conversar e para estar presente de verdade. Criar limites para o uso da tecnologia começa pela sua própria autodisciplina e pelo respeito ao tempo dos outros.
Crie momentos de lazer familiar onde todos os aparelhos ficam guardados em uma cesta na entrada da sala para evitar tentações. Isso ensina para as crianças que a interação humana tem um valor superior e que o mundo virtual pode esperar um pouco. Vocês estão formando cidadãos emocionais que saberão se conectar com as pessoas de forma profunda e não apenas através de curtidas. O futuro da sua linhagem depende da forma como vocês gerenciam a atenção dentro da sua própria casa hoje.
Não use o celular como uma babá eletrônica para ter paz pois o preço disso será uma distância emocional difícil de reverter no futuro. Invista tempo em atividades que exijam criatividade e cooperação entre todos os membros da família sem telas por perto. O legado que você deixa é a qualidade dos momentos que vocês viveram juntos e não a quantidade de fotos que vocês postaram na internet. Seja o modelo de presença que você gostaria que seus filhos tivessem quando eles crescerem e formarem suas próprias famílias.
Redescobrindo hobbies analógicos que unem o par
Existem milhares de atividades maravilhosas que não exigem conexão com a internet e que trazem uma satisfação imensa para o casal. Podem ser jogos de tabuleiro cozinhar uma receita nova do zero ou até fazer um jardim no quintal de casa juntos. Essas atividades exigem mãos à obra e conversa constante o que fortalece a parceria de uma forma lúdica e muito prazerosa. O hobby analógico é o antídoto perfeito para a passividade e o isolamento que as telas impõem na nossa rotina.
Busquem algo que ambos gostem e que traga um desafio real para as habilidades de vocês como seres humanos em evolução. Ver o parceiro se esforçando para montar um quebra-cabeça ou para aprender um instrumento musical desperta uma admiração nova e fresca. Vocês saem da bolha digital e entram no mundo das texturas dos cheiros e dos sons reais que a vida oferece a cada momento. O lazer compartilhado e ativo é o melhor investimento que vocês podem fazer na conta corrente do entusiasmo amoroso.
Mudar o foco do digital para o analógico exige um esforço inicial de vontade mas o resultado compensa cada minuto de dedicação. Vocês voltam a ter histórias para contar e piadas internas que não dependem de um meme de internet para terem graça entre vocês. O mundo real é muito mais vasto e interessante do que qualquer simulação virtual que o celular possa te oferecer em uma tela pequena. Redescubram o prazer das coisas simples e vejam como a relação de vocês vai ganhar uma vida nova e vibrante.
O papel da vulnerabilidade na desconexão voluntária
Para se desconectar do celular você precisa estar pronta para lidar com a vulnerabilidade de estar cara a cara com o outro sem defesas. O celular muitas vezes serve como um escudo para não termos que olhar para as nossas próprias sombras ou para as falhas da relação. A desconexão voluntária exige coragem para encarar a verdade e para se mostrar de forma autêntica e sem filtros de edição de imagem. É na vulnerabilidade que a conexão mais profunda e verdadeira acontece entre duas pessoas que se amam de verdade.
Ao deixar o celular de lado você está dizendo que está disposta a ouvir as críticas e os elogios e a sentir as emoções reais do momento. Isso cria um ambiente de segurança onde ambos podem ser quem realmente são sem o medo de serem julgados ou comparados com o ideal da internet. A vulnerabilidade é o cimento que une os tijolos da intimidade e garante que a construção seja sólida e duradoura para o futuro. Não tenha medo de ficar em silêncio e de olhar para dentro de si e para dentro do outro sem distrações eletrônicas.
A jornada de desconectar dos celulares para conectar com o outro é um processo contínuo de vigilância e de escolha consciente todos os dias. Celebrem as pequenas vitórias como um jantar sem telas ou um final de semana de detox digital com muita alegria e orgulho. Vocês estão investindo no que há de mais precioso na vida humana que é a capacidade de amar e de ser amado de forma integral. O futuro da sua relação agradece por cada minuto de atenção exclusiva que você decide dar para quem realmente importa na sua caminhada.
Exercícios de Auditoria e Conexão
Exercício 1: O Extrato da Atenção
Durante os próximos três dias vocês dois devem anotar cada vez que pegarem o celular enquanto o outro está falando ou tentando iniciar uma interação. No final do terceiro dia somem essas interrupções e convertam cada uma em cinco minutos de massagem ou de conversa exclusiva sem telas para o parceiro que foi ignorado. O objetivo é visualizar o prejuízo que as telas causam e compensar o outro com presença real e física.
- Resposta esperada: Ao transformar a distração em uma dívida a ser paga com carinho o casal toma consciência do quanto se ignora durante o dia. A resposta ideal é uma redução drástica nas interrupções e um aumento na qualidade do toque e da conversa como forma de quitar esse passivo emocional.
Exercício 2: O Piquenique Digital
Escolham uma noite da semana para fazer um piquenique na sala de casa onde a única regra é que os celulares devem ficar desligados em outro cômodo. Preparem algo simples para comer e usem esse tempo para contar três coisas que vocês admiram no outro mas que raramente dizem no dia a dia. Foquem no olhar e na escuta ativa sem nenhuma pressa de terminar a interação para voltar para o mundo virtual.
- Resposta esperada: Este exercício remove a muleta do celular e força o casal a lidar com a intimidade direta e o elogio sincero. A resposta será um sentimento de renovação da admiração mútua e a descoberta de que vocês são muito mais interessantes e divertidos do que qualquer conteúdo de rede social que o algoritmo possa oferecer.

Luana Psico é psicóloga clínica (CRP 07 /2044 formada pela Unicamp, com especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental / Psicanálise / Gestalt. Facebook
Com 30 anos de experiência, Luana dedica-se a oferecer um espaço seguro, ético e acolhedor para seu público, adultos e adolescentes] que buscam autoconhecimento e qualidade de vida. Em sua prática diária, atua ajudando pacientes a lidarem com questões como ansiedade, depressão, estresse, luto e transições de carreira. Instagram
