Pedindo socorro: Como falar para sua família que você não está segura consigo mesma

Pedindo socorro: Como falar para sua família que você não está segura consigo mesma

Pedindo socorro: Como falar para sua família que você não está segura consigo mesma

Por que o silêncio parece a única opção

O medo do julgamento e da incompreensão

Você já sentiu que suas palavras ficariam presas na garganta se tentasse explicar o caos dentro da sua cabeça. É comum imaginar que, ao falar, as pessoas que você ama vão te olhar com estranheza ou decepção.[4] Esse medo paralisa.[4][5] Você cria cenários mentais onde a resposta deles é fria ou crítica. O cérebro humano, quando está em sofrimento, tende a prever o pior cenário possível como mecanismo de defesa.[4]

Eu vejo isso no consultório todos os dias. Clientes me dizem que preferem sofrer em silêncio a ver um olhar de julgamento nos pais ou irmãos. A verdade é que a saúde mental ainda carrega estigmas.[4] Talvez você tenha ouvido comentários insensíveis da sua família sobre outras pessoas no passado.[4] Isso faz você erguer muros.[4] Você pensa que se eles julgaram o vizinho ou o primo, certamente julgarão você.

Mas segurar esse segredo consome uma energia vital. O medo de ser incompreendida faz você atuar o tempo todo.[4] Você sorri quando quer chorar. Você diz que está tudo bem quando, na verdade, sente que está desmoronando. Essa atuação constante é exaustiva. Ela drena a pouca força que resta para lidar com a dor real.[4] Quebrar o silêncio é arriscado, sim, mas o custo de manter a máscara pode ser alto demais para sua segurança.[4]

A sensação de ser um peso para os outros[4]

Muitas pessoas que não se sentem seguras consigo mesmas acreditam que são um fardo.[4] Você olha para a rotina da sua família e vê todos ocupados. Seus pais têm problemas financeiros ou de saúde.[4] Seus irmãos estão focados nos estudos ou trabalho. A voz da depressão ou da ansiedade sussurra que você não tem o direito de adicionar mais problemas à lista deles.[4] Você se convence de que pedir ajuda é um ato de egoísmo.

Essa é uma distorção cognitiva clássica.[4] Sua mente mente para você. Ela diz que sua existência atrapalha, quando na verdade sua dor é o que mais preocupa quem te ama. Pense comigo agora. Se alguém que você ama estivesse sangrando fisicamente, você acharia um incômodo levá-lo ao hospital.[4] Provavelmente não. A dor psíquica é tão urgente quanto a física.[4] Você não é um peso. Você é uma pessoa ferida precisando de cuidados.

Ao esconder sua situação para “poupar” a família, você nega a eles a chance de exercer o amor.[4] Cuidar de quem amamos dá sentido à vida de muitas pessoas.[4] Seus familiares podem ficar tristes ao saber da sua dor, mas ficariam devastados se algo acontecesse com você e eles não tivessem tido a chance de ajudar.[4] A sensação de ser um peso é um sintoma da sua condição atual, não um fato da realidade.[1][4]

A mentira de que você consegue lidar sozinha[4]

Existe uma crença perigosa de que devemos ser autossuficientes em tudo.[4] A sociedade nos ensina que ser forte é aguentar tudo calada.[4] Você pode ter passado anos resolvendo seus próprios problemas. Talvez você seja aquela pessoa que todos procuram para pedir conselhos.[4] Admitir que agora é você quem precisa de suporte parece uma falha de caráter.[4] Você tenta mais um dia, depois mais outro, prometendo a si mesma que vai melhorar.

O problema é que transtornos mentais e crises emocionais graves não se resolvem apenas com força de vontade.[4] Tentar sair de um buraco emocional profundo sozinha é como tentar fazer uma cirurgia em si mesma.[4] Você não tem o distanciamento nem as ferramentas necessárias.[4] A insistência em “aguentar firme” apenas prolonga o sofrimento e, muitas vezes, agrava o quadro.[4] A segurança interna que você perdeu precisa de referências externas para ser reconstruída.[4]

Reconhecer que perdeu o controle não é fraqueza. É um momento de extrema lucidez. É preciso muita coragem para olhar no espelho e dizer que suas próprias mãos não são mais seguras para te segurar.[4] Quando você aceita que não consegue lidar sozinha, você abre a porta para a recuperação.[4] Ninguém vence guerras sozinho e a batalha pela sua saúde mental é uma das mais importantes que você enfrentará.[4]

Preparando o terreno para a conversa difícil[4]

Escolhendo a pessoa certa dentro de casa[4]

Nem sempre os pais são a primeira opção segura.[1][3][4][7] Às vezes a dinâmica familiar é complexa.[2][4][8] Pode ser que seu pai seja mais rígido ou sua mãe muito ansiosa.[4] Você precisa ser estratégica agora. Olhe para as pessoas que moram com você ou que são próximas. Quem costuma escutar mais. Quem tem reações mais ponderadas diante de problemas. Talvez seja um irmão mais velho, uma tia que mora junto ou até mesmo apenas um dos seus pais.[4]

O objetivo inicial é criar uma ponte. Você não precisa reunir a família inteira na sala de estar como em filmes. Isso pode ser intimidador e gerar uma reação de pânico coletivo.[4] Escolha um aliado. Alguém que possa entender a gravidade do que você sente e te ajudar a comunicar isso aos outros se for necessário.[2][3][4][9][10] Essa pessoa servirá como um amortecedor emocional para você.[4]

Se você sente que ninguém dentro de casa tem estrutura para ouvir isso agora, a estratégia muda. Você pode precisar de um mediador externo, mas vamos focar na família por enquanto.[4] Avalie o histórico de comportamento deles.[4][7][9][10] Lembre-se de momentos em que eles acolheram alguém. Aposte na pessoa que te faz sentir menos tensa. A segurança é sua prioridade agora e começar com o elo mais forte da corrente familiar é o caminho mais sábio.[3][4]

Encontrando o momento e o lugar adequados[4][8][9]

Conversas sérias em momentos de estresse tendem a dar errado.[4][6] Tentar falar sobre sua segurança física e mental enquanto sua mãe está atrasada para o trabalho ou seu pai está assistindo ao jornal não funciona. A atenção deles estará dividida. Você precisa de foco total. O ambiente também influencia.[4] Lugares barulhentos ou onde vocês podem ser interrompidos aumentam sua ansiedade.[4]

Busque um momento de calmaria. Pode ser num fim de tarde de domingo ou num momento em que vocês estejam sozinhos em casa. Convide a pessoa para sentar. Diga que precisa conversar sobre algo sério e peça que ela desligue a televisão ou deixe o celular de lado. Criar esse “espaço sagrado” para a conversa sinaliza para o outro que o assunto não é trivial. Isso já prepara o ouvinte para mudar a postura de casual para atento.[4]

Também vale a pena pensar no seu conforto. Escolha um lugar onde você se sinta minimamente acolhida. Pode ser no seu quarto, na varanda ou até mesmo dentro do carro estacionado.[4] O importante é que você sinta que tem uma rota de fuga se precisar respirar e que não há plateia.[4] Controlar o “quando” e o “onde” devolve a você um pouco do poder que a crise emocional te tirou.[4]

Escrevendo o que sente para organizar as ideias

Quando estamos em crise, a mente fica nebulosa.[4] Pensamentos se atropelam e a emoção trava a fala. É muito comum chegar na hora da conversa e esquecer tudo o que queria dizer ou minimizar a dor por vergonha.[4] Escrever é uma ferramenta terapêutica poderosa.[4] Colocar no papel ou no bloco de notas do celular o que você está sentindo ajuda a materializar a dor.[4]

Tente fazer um roteiro. Liste os sintomas físicos que você sente. Descreva os pensamentos assustadores que têm passado pela sua cabeça. Escreva claramente: “Eu não me sinto segura comigo mesma”. Ter isso escrito serve como uma muleta.[4] Se na hora da conversa a voz falhar, você pode ler o que escreveu.[4] Se nem ler for possível, você pode entregar o papel ou o celular para a pessoa ler.[4]

Isso garante que a mensagem seja entregue sem distorções.[4] Muitas vezes, ao tentar falar de improviso, acabamos suavizando o discurso para não assustar o outro. “Estou meio triste” é muito diferente de “Estou pensando em me machucar”. O escrito não gagueja. O escrito não recua. Ele diz a verdade crua que precisa ser dita para que a ajuda chegue na intensidade certa.

O momento da verdade: Como verbalizar a dor

Usando palavras claras e diretas sem rodeios

A ambiguidade é inimiga do socorro. Dizer “não estou muito bem” pode ser interpretado como uma gripe ou cansaço.[4] Famílias tendem a normalizar as coisas para evitar o desconforto.[4] Você precisa romper essa barreira com clareza cirúrgica. Use frases que não deixem margem para dúvidas. “Mãe, eu preciso de ajuda psiquiátrica urgente” ou “Pai, eu estou tendo pensamentos que me assustam e tenho medo do que posso fazer”.

Eu sei que essas frases pesam toneladas. O coração dispara só de pensar em pronunciá-las. Mas a clareza salva vidas.[4][11] Você precisa comunicar o risco.[4][8][9][11] Se você sente impulso de se ferir, diga isso. Se você sente que a vida perdeu o sentido, verbalize. Trate a informação como um dado que precisa ser passado. Imagine que você está descrevendo uma dor física aguda, como um apêndice inflamado.

Evite eufemismos. Não diga “estou meio baixo astral” se você está desesperada. A família precisa entender a urgência para agir com a rapidez necessária.[4] Se eles não entenderem a gravidade, podem sugerir coisas simples como “sair para passear” ou “dormir mais cedo”. Essas soluções não funcionam para quem não está segura consigo mesma.[1][4] Seja literal. Sua sobrevivência depende dessa honestidade radical.

O que fazer se as palavras fugirem na hora

O bloqueio na hora H é real.[4] O corpo entra em estado de alerta e a garganta fecha.[4] Você pode começar a chorar incontrolavelmente e não conseguir articular uma frase. Se isso acontecer, não desista da conversa. Respire. O choro já é uma forma de comunicação.[4] Ele mostra que algo está errado. Permita-se esse momento de vulnerabilidade.[4] Não tente engolir o choro para parecer forte.

Use recursos não verbais se a voz não sair. Aponte para o texto que você escreveu. Faça um sinal. Se você já tiver combinado um código com algum amigo ou terapeuta, use-o.[4] Às vezes, apenas dizer “Socorro” ou “Ajuda” é suficiente para começar.[4] Você não precisa fazer um discurso eloquente. Você só precisa iniciar o contato. Comece com “Não consigo falar tudo, mas…” e vá aos poucos.

Se você travar completamente, tente escrever na hora. Pegue um papel e escreva “Preciso de ajuda”.[4] A ação motora de escrever pode ser mais fácil do que a fonação nessas horas.[4] O importante é não sair da sala fingindo que nada aconteceu. Fique ali. A sua presença silenciosa e angustiada também comunica. Espere até que consiga soltar a primeira frase. O primeiro passo é sempre o mais difícil.

Estabelecendo limites sobre o que você precisa agora[4]

Depois de soltar a bomba, a família pode reagir tentando “resolver” tudo de uma vez. Eles podem fazer mil perguntas ou dar conselhos que você não pediu. É importante que você guie, na medida do possível, o que precisa. Diga: “Eu não preciso de conselhos agora, eu preciso que marquem um médico para mim”. Ou: “Eu preciso que alguém fique comigo hoje à noite porque não quero ficar sozinha”.

Dê instruções práticas. A ansiedade deles vai pedir ação e se você der uma direção, isso acalma a todos.[4] Se você não quer falar sobre os detalhes do “porquê” está se sentindo assim, diga. “Não consigo explicar os motivos agora, só preciso focar em ficar segura”. Você tem o direito de preservar os detalhes traumáticos para um profissional de saúde mental.

Estabeleça também o que não ajuda. Se eles começarem a dizer “isso é falta de Deus” ou “você tem tudo na vida”, corte gentilmente mas com firmeza. “Isso me faz sentir pior. Por favor, só me ajudem a buscar tratamento profissional”. Você está no comando do seu pedido de socorro. Direcionar a energia da família para ações práticas (buscar médico, comprar remédio, fazer companhia) é a melhor forma de usar o apoio deles.[4]

Lidando com a reação da família[1][2][3][4][7][9]

E se eles entrarem em pânico ou negarem[4][8]

Prepare-se para o fato de que eles são humanos e falhos.[4] A primeira reação de pais ao ouvir que um filho não quer viver ou se machuca é o pânico.[4] Eles podem gritar, chorar ou até ficar com raiva.[4] A raiva muitas vezes é medo disfarçado.[4] Eles podem negar: “Isso é coisa da sua cabeça”, “Você só quer chamar atenção”. Ouvir isso dói, mas tente não levar para o pessoal nesse momento crítico.

Essa negação é o mecanismo de defesa deles quebrando.[4] Eles não querem acreditar que falharam em te proteger.[4] Entenda que a reação inicial não é a reação final.[1][4] Eles precisam de tempo para processar a informação.[4] Mantenha sua posição. “Eu sei que é difícil ouvir isso, mas é o que estou sentindo e é real”. Não entre em combate. Apenas reafirme sua necessidade de ajuda.

Se o pânico deles for muito grande, você pode ter que ser a voz da razão por alguns minutos, o que é injusto, mas necessário. “Mãe, pai, gritarmos não vai resolver. Vamos focar no que fazer agora”. Se a reação for muito negativa e tóxica, encerre a conversa e busque seu plano B (outros parentes, amigos ou serviços de emergência). Não deixe que a negação deles te convença de que você não precisa de ajuda.[4]

Gerenciando a frustração de não ser entendida de imediato

É raro que a família entenda a profundidade da dor mental instantaneamente.[4] Eles não estão dentro da sua cabeça. Eles veem você comendo, andando, vivendo, e parece tudo normal.[4] Existe um abismo entre a sua experiência interna e a percepção externa deles.[1][4][8][12] Você vai sentir frustração. Vai parecer que está falando outra língua. E em parte, está. A linguagem da depressão é estranha para quem nunca a viveu.[4]

Baixe a expectativa de compreensão total. Você não precisa que eles entendam exatamente como é a dor, você precisa que eles respeitem a dor e ajudem a tratá-la.[4] O entendimento profundo virá com o tempo, talvez com sessões de terapia familiar ou com a leitura de materiais educativos.[4] Por agora, foque no pragmatismo. O objetivo é a segurança, não a empatia perfeita.

Tenha paciência com o processo de aprendizado deles.[4] Repita se for necessário. Use analogias. Mas proteja-se da expectativa de que eles vão virar terapeutas de uma hora para outra.[4] Eles são sua família, com todas as limitações que isso implica. Aceitar que eles podem te amar e ainda assim não te entender completamente tira um peso das suas costas.[4]

Aceitando o amor imperfeito que eles podem oferecer

Talvez sua mãe não saiba conversar sobre sentimentos, mas ela faz sua comida preferida. Talvez seu pai não saiba dizer “eu te amo”, mas ele te leva e busca na terapia sem reclamar.[4] As pessoas amam como aprenderam a amar.[4] Em momentos de crise, a gente quer um amor de filme, com abraços perfeitos e palavras sábias. A vida real oferece um amor meio torto, às vezes desajeitado.[4]

Aprenda a identificar os sinais de cuidado que não são verbais.[4][9][12] Se eles estão preocupados, se estão tentando ajudar do jeito deles, valide isso. “Obrigada por se preocupar”. Aceitar o amor imperfeito não significa aceitar abusos ou negligência.[4] Significa reconhecer que eles estão tentando lidar com uma notícia aterrorizante com as ferramentas limitadas que possuem.[4]

Esse suporte, mesmo que falho, é uma rede de segurança.[4] Saber que tem alguém na sala ao lado, mesmo que essa pessoa não saiba exatamente o que dizer, reduz a sensação de isolamento absoluto.[4] Use o que eles podem oferecer. Deixe o terapeuta lidar com a parte clínica e emocional profunda.[4] Deixe a família cuidar da parte logística e da presença física.[4]

O papel da rede de apoio estendida[4]

Amigos próximos como pontes para a família[1]

Às vezes, a barreira com a família é intransponível sozinha.[1][2][4] Aqui entram os amigos. Um amigo de confiança pode ser a peça chave.[2][4] Ele pode estar presente na hora da conversa com seus pais para te dar apoio moral.[4] A presença de uma terceira pessoa geralmente faz com que os familiares controlem mais suas reações explosivas.[4] O amigo valida sua dor: “Tia, é verdade, eu tenho visto ela sofrer muito”.

Você também pode pedir para um amigo falar por você, se não conseguir. “Mãe, a fulana veio aqui porque tem algo importante para contar sobre mim”. Amigos podem ajudar a pesquisar médicos, marcar consultas e até te acompanhar no dia a dia.[4] Eles são a família que a gente escolhe. Não subestime o poder de ter alguém da sua idade que entenda sua linguagem e seus códigos.[4]

Mantenha esses amigos informados sobre como foi a conversa. Eles servirão como seu “check-in” diário. Saber que tem alguém fora de casa torcendo por você e monitorando seu bem-estar ajuda a manter a esperança nos dias em que a atmosfera familiar estiver pesada.[4]

Recursos de emergência e o CVV

Nós precisamos falar sobre o plano de emergência imediata. Se a conversa com a família não acontecer ou se a crise vier forte de madrugada, você precisa de recursos profissionais.[4] O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo número 188 no Brasil.[4] É gratuito, anônimo e funciona 24 horas.[4] Do outro lado da linha tem alguém treinado para ouvir sem julgar.

Salve esse número no seu celular agora: 188.[4] Em momentos de desespero, a gente não consegue pesquisar no Google. Ter o contato fácil pode ser a diferença entre agir por impulso ou conseguir se acalmar.[4] Além do CVV, saiba onde fica o pronto-socorro psiquiátrico ou UPA mais próxima da sua casa.[4] Emergência de saúde mental é emergência médica.[4] Você tem o direito de ir a um hospital e pedir para ver um psiquiatra de plantão.[4]

Não encare esses recursos como “último caso”. Eles são ferramentas de primeiros socorros.[4] Usar o 188 é um ato de inteligência emocional.[4] Mostra que você está lutando pela sua vida. Se a família falhar, o sistema de saúde e apoio voluntário está lá para te segurar até que você consiga um tratamento contínuo.[4]

A importância de não se isolar após a conversa

Depois de “sair do armário” sobre sua saúde mental, a tentação é se esconder de vergonha.[4] Você sente que está exposta. A vontade é trancar a porta do quarto e não olhar para ninguém. Lute contra esse isolamento. O segredo foi revelado, e isso é bom. Agora a luz pode entrar. O isolamento alimenta os pensamentos intrusivos.[4]

Tente manter-se em áreas comuns da casa, mesmo que não interaja muito. A presença física de outras pessoas regula nosso sistema nervoso.[4] Aceite convites para ver um filme na sala. Deixe a porta do quarto aberta. O isolamento físico reforça a sensação de isolamento emocional.[4] Pequenos movimentos em direção aos outros ajudam a reconstruir a normalidade.[4]

Converse com sua família sobre coisas triviais também. Não deixe que sua identidade vire apenas “a pessoa doente”. Você continua sendo você, com seus gostos, seu humor, suas opiniões. Falar sobre o tempo, sobre uma série ou sobre o jantar ajuda a diminuir a tensão na casa e mostra que, apesar da crise, a vida continua e pode ser leve em alguns momentos.[4]

Reconstruindo a segurança interna[3][4]

Pequenos passos diários de autocuidado[4]

A segurança não volta de um dia para o outro.[4] Ela é reconstruída tijolo por tijolo.[4] Comece pelo básico. Dormir, comer e tomar banho.[4] Parece simples, mas na depressão ou crise, isso é uma maratona.[4] Estabeleça metas minúsculas. “Hoje vou escovar os dentes”. “Hoje vou comer uma fruta”. Cumpriu? Celebre. Você está cuidando de si mesma.

Crie uma rotina de segurança.[4] Evite ficar longos períodos ociosa e sozinha se isso ativa seus pensamentos ruins.[1][4][8][9][12] O autocuidado também envolve remover riscos do ambiente.[4] Se você tem objetos no quarto que usa para se ferir, entregue-os para sua família.[4] Isso é um ato concreto de proteção.[4] Diga: “Guardem isso para mim por um tempo”.

Seja gentil com seus dias ruins. A recuperação não é uma linha reta.[4][8][12] Haverá dias em que você se sentirá insegura de novo. Isso não significa que você voltou à estaca zero.[4][8] Significa que você está num processo.[4] O autocuidado é, acima de tudo, a prática da autocompaixão.[4] Trate-se como você trataria uma criança ferida que precisa de carinho.

Monitorando os gatilhos emocionais[4][7][8]

Você precisa virar uma cientista de si mesma.[4] Observe o que dispara sua sensação de insegurança. É briga em casa? É rede social? É falta de sono? Quando você identifica os gatilhos, pode se preparar melhor. Se sabe que o domingo à noite é difícil, planeje uma atividade relaxante para esse horário. Antecipar a crise tira a força dela.[4]

Compartilhe esses gatilhos com quem te apoia. “Mãe, quando vocês gritam, eu fico muito mal”. “Pai, eu preciso evitar ver notícias ruins agora”. Quando a família conhece seus gatilhos, eles podem ajudar a criar um ambiente mais seguro.[4] O autoconhecimento é sua arma de defesa.[4] Quanto mais você se conhece, menos refém você fica das suas emoções repentinas.[4]

Anote seus sentimentos. Manter um diário de humor ajuda a ver padrões.[4] Você vai perceber que as crises têm começo, meio e fim.[4] Elas não duram para sempre.[1][4][8] Saber que “isso também passa” ajuda a suportar a onda quando ela vem forte, esperando ela quebrar na areia sem te arrastar.[4]

Celebrando a coragem de ter pedido ajuda[4]

Pedir socorro é um dos atos mais bravos que um ser humano pode fazer.[4] Vai contra o instinto de esconder fraquezas.[4][8] Você desafiou o medo, o estigma e a própria mente para dizer “eu quero viver, mas não assim”. Reconheça esse mérito. Você não é uma covarde por pensar em desistir; você é uma guerreira por ter pedido ajuda para continuar.

Olhe para trás e veja que você sobreviveu a 100% dos seus piores dias até hoje. Essa conversa com a família é um marco. É o dia em que você decidiu parar de lutar sozinha. É o início de uma nova fase onde a carga é compartilhada.[4] Sinta orgulho dessa decisão. Ela mostra que existe uma parte de você, por menor que seja, que ainda acredita que as coisas podem melhorar. E essa parte está certa.

Terapias e abordagens clínicas indicadas[3][4]

Terapia Dialética Comportamental (DBT)[4]

Quando falamos de insegurança consigo mesma, impulsividade e risco de autolesão, a DBT é padrão ouro.[4] Desenvolvida pela Dra. Marsha Linehan, essa abordagem foca em te dar habilidades práticas para regular emoções intensas.[4] Diferente de terapias que só focam no passado, a DBT é sobre o “agora”.[4] Você aprende técnicas de tolerância ao mal-estar.[4] Aprende a sobreviver às crises sem piorar a situação.

Na DBT, trabalhamos muito a ideia de “mente sábia”.[4] É o equilíbrio entre sua emoção e sua razão.[4] Você aprende a validar o que sente, mas não ser escrava desse sentimento.[4] É uma terapia muito ativa, muitas vezes com treinos de habilidades em grupo e acompanhamento individual.[4] Se você sente que suas emoções são uma montanha-russa incontrolável, pergunte por profissionais especialistas em DBT.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)[4]

A TCC é excelente para trabalhar as distorções de pensamento que conversamos lá no início.[4] Sabe aquela ideia de “sou um peso”? A TCC vai te ajudar a colocar essa ideia num tribunal.[4] Vamos buscar as evidências a favor e contra. Vamos reestruturar a forma como você enxerga a si mesma e ao mundo. É uma terapia focada em problemas e metas.[4]

O terapeuta de TCC vai te passar “tarefas de casa”. Vocês vão trabalhar juntos para mudar comportamentos que mantém o ciclo da depressão ou ansiedade.[4] É um processo colaborativo.[4] Você aprende a identificar o pensamento automático negativo antes que ele vire uma bola de neve emocional.[4] É como treinar o cérebro para novos caminhos neurais menos dolorosos.[4]

Acompanhamento psiquiátrico e medicamentoso[4][9][13]

Muitas vezes, a química do cérebro precisa de um ajuste.[4] Não há vergonha nenhuma nisso. Depressão, transtorno bipolar e ansiedade grave têm componentes biológicos.[4] O psiquiatra é o médico que vai avaliar se você precisa de medicação para estabilizar o humor, melhorar o sono ou diminuir a impulsividade.[4] O remédio não é uma “muleta”, é como um óculos para quem não enxerga bem.[4]

O medicamento pode dar o “chão” que você precisa para que a terapia funcione.[4] É difícil fazer terapia quando se está em sofrimento agudo extremo.[4] A medicação reduz o ruído mental, permitindo que você consiga pensar e aplicar as técnicas que aprende na psicologia.[4] O tratamento combinado (remédio + terapia) é estatisticamente o mais eficaz para casos onde a segurança pessoal está em risco.[4] Confie na ciência e nos profissionais.[4] Há um caminho de volta para você mesma.

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