Mentoria: A importância de puxar outras mulheres para cima

Mentoria: A importância de puxar outras mulheres para cima

Imagine que você está escalando uma montanha íngreme e cheia de obstáculos imprevistos. O ar vai ficando rarefeito e o cansaço bate forte nas pernas, mas você continua subindo porque sabe que a vista lá de cima é recompensadora. De repente, você olha para trás e vê outra mulher começando a mesma jornada, tropeçando nas mesmas pedras que você já superou. O que você faz? Você continua subindo sozinha para garantir seu lugar ao sol ou estende a mão para mostrar o caminho mais seguro? Essa metáfora ilustra perfeitamente o cerne da mentoria feminina e a urgência de mudarmos a dinâmica de competição para uma de colaboração genuína.

Quando falamos sobre puxar outras mulheres para cima, não estamos falando apenas de caridade ou de ser “boazinha” no ambiente de trabalho. Estamos falando de sobrevivência psíquica e estratégia inteligente. Durante anos, fomos condicionadas a acreditar que havia apenas uma cadeira para mulheres na mesa de decisão, o que gerou uma disputa velada e exaustiva entre nós. Hoje, como terapeuta que acompanha tantas executivas e empreendedoras brilhantes, vejo que essa mentalidade está mudando, mas ainda exige um esforço consciente para ser desmantelada. Mentoria é sobre criar mais cadeiras, alargar a mesa e garantir que nenhuma de nós precise carregar o peso do mundo sozinha.

Neste papo franco de hoje, quero convidar você a olhar para a mentoria não como mais uma tarefa na sua agenda lotada, mas como uma ferramenta de cura e expansão. Vamos mergulhar nas razões profundas pelas quais precisamos nos apoiar, entender os mecanismos psicológicos que nos travam e descobrir como você pode se tornar um agente de transformação na vida de outra mulher.[4][5][8] Pegue sua bebida favorita, respire fundo e vamos juntas desvendar o poder transformador de estender a mão.

O Cenário Atual: Por que a solidão no topo ainda é real?

Os números que não podemos ignorar[4]

Você já parou para contar quantas mulheres estão ao seu lado nas reuniões de diretoria ou nos eventos de alta gestão da sua área? As estatísticas são frias, mas refletem uma realidade que sentimos na pele todos os dias. No Brasil, embora sejamos a maioria da população e tenhamos, em média, mais anos de estudo que os homens, ocupamos uma parcela ínfima dos cargos de presidência e conselho. Essa disparidade não é apenas uma questão numérica, é um problema estrutural que gera uma sensação profunda de isolamento para quem consegue chegar lá.

Essa solidão não é apenas sobre não ter com quem almoçar. Ela afeta diretamente a saúde mental e a tomada de decisão. Quando você é a “única” na sala, a pressão para representar todo o gênero feminino é esmagadora. Qualquer erro seu não é visto apenas como uma falha individual, mas como uma prova de que “mulheres não servem para isso”. Dados mostram que empresas com maior diversidade de gênero no topo são mais lucrativas e inovadoras, mas a velocidade dessa mudança ainda é lenta demais. Precisamos acelerar esse processo e a mentoria é o catalisador mais eficiente que temos em mãos.

Ao mentorar outra mulher, você ataca diretamente essa estatística. Você ajuda a preparar a próxima geração para ocupar esses espaços com mais naturalidade e competência. Não se trata apenas de ensinar habilidades técnicas, mas de compartilhar as “regras não escritas” do jogo corporativo que muitas vezes barram o crescimento feminino. Quando você compartilha como negociou seu salário ou como lidou com uma interrupção em uma reunião, você está equipando outra mulher com as armas necessárias para não apenas sobreviver, mas prosperar e mudar as estatísticas.

A síndrome da impostora e a falta de espelhos

Talvez você conheça aquela voz interna irritante que sussurra “você não é boa o suficiente” ou “logo vão descobrir que você é uma fraude”. A Síndrome da Impostora é uma visitante frequente no consultório e, curiosamente, ela ataca com mais força as mulheres mais competentes. Mas aqui vai um insight terapêutico importante: a síndrome da impostora não é apenas um problema de autoestima individual, é um problema de falta de referências. É muito difícil se sentir pertencente a um lugar onde você não se vê refletida.

A falta de espelhos – ou seja, de outras mulheres em posições de poder que sejam autênticas e acessíveis – alimenta essa insegurança. Quando olhamos para cima e só vemos modelos de liderança masculinos ou mulheres que precisaram se masculinizar para serem aceitas, nosso inconsciente entende que “aquele lugar não é para mim”. A mentoria quebra esse ciclo vicioso ao oferecer um espelho real e possível. Uma mentora não é uma super-heroína inalcançável, mas uma mulher real que valida as dores e as potências da mentorada.

O papel da mentora aqui é normalizar as dúvidas e os medos. Ouvir de uma diretora experiente que ela também sente frio na barriga antes de uma apresentação importante tem um efeito calmante imediato. Isso retira o peso da patologia individual e coloca a insegurança em perspectiva. Ao puxar outra mulher para cima, você está dizendo a ela: “Eu te vejo, eu me reconheço em você e eu garanto que você é capaz”. Esse tipo de validação externa é, muitas vezes, o antídoto mais poderoso contra a voz da impostora.

Desconstruindo o mito da rivalidade feminina

Precisamos falar sobre o elefante na sala: a ideia de que mulheres são naturalmente rivais. Crescemos ouvindo contos de fadas onde a madrasta odeia a princesa e assistindo filmes onde a garota popular humilha a novata. Culturalmente, fomos ensinadas a competir pela atenção masculina ou pela única vaga disponível para nós. Esse condicionamento histórico criou uma barreira de desconfiança que nos impede de conectar profundamente. Muitas mulheres ainda acreditam, inconscientemente, que o brilho de outra mulher ofusca o seu próprio.

Na terapia, trabalhamos para ressignificar essa crença limitante. A verdade é que o sucesso de outra mulher não é uma ameaça ao seu, é uma confirmação de que é possível. Quando uma mulher rompe o teto de vidro, ela deixa cacos pelo chão, mas também abre um buraco por onde outras podem passar. A rivalidade é uma ferramenta do patriarcado para nos manter ocupadas disputando migalhas enquanto o banquete principal é servido em outra mesa. Mentoria é o ato revolucionário de recusar essa disputa.

Puxar outra mulher é um exercício de abundância. É acreditar que existe espaço para todas e que, juntas, somos muito mais fortes. Quando substituímos o julgamento pelo acolhimento, criamos uma rede de proteção impenetrável. Eu vejo transformações incríveis acontecerem quando uma líder decide apadrinhar uma jovem talento, não como uma competidora, mas como uma sucessora. Isso cura não apenas a relação profissional, mas também feridas antigas de rejeição e comparação que muitas carregam desde a adolescência.

O Poder da Conexão: Benefícios de Mão Dupla[7]

O que a mentora ganha ao estender a mão[1][2][7][9]

Existe um mito de que a mentoria é um ato de doação unilateral, onde a mentora entrega sabedoria e a mentorada apenas recebe. Nada poderia estar mais longe da verdade. Na minha prática, vejo executivas exaustas e desmotivadas reencontrarem o brilho nos olhos ao começarem a mentorar. O contato com a energia, a curiosidade e as novas perspectivas de alguém que está começando pode ser incrivelmente revitalizante. É uma oportunidade de ouro para atualizar seus próprios conhecimentos e manter-se relevante.[8]

Mentorar exige que você organize sua própria narrativa. Para explicar como superou um desafio, você precisa revisitar sua história, processar suas experiências e extrair lições que talvez nem você mesma tinha percebido que aprendeu. É um processo terapêutico de autoconhecimento. Você valida sua própria jornada e percebe o quanto já caminhou. Isso fortalece sua autoeficácia e lhe dá uma nova dose de confiança para enfrentar seus próprios desafios de nível sênior.

Além disso, a mentoria desenvolve habilidades de liderança que cursos teóricos não conseguem ensinar. Você aprende a ouvir de verdade, a fazer as perguntas certas em vez de dar respostas prontas e a exercer a empatia de forma prática. Essas são as soft skills mais valorizadas no mercado atual. Ao ajudar outra mulher a crescer, você se torna uma líder mais humana, mais conectada e, consequentemente, mais inspiradora para toda a sua equipe.

O salto de qualidade para a mentorada[1][7][8][10]

Para quem está sendo puxada para cima, o impacto é imensurável. Ter uma mentora é como ter um GPS em um terreno desconhecido. Você ainda terá que dirigir o carro e enfrentar o trânsito, mas saberá qual caminho evitar e onde estão os atalhos seguros. A mentorada ganha acesso a uma visão estratégica que demoraria anos para desenvolver sozinha. Ela deixa de focar apenas na execução técnica das tarefas e passa a entender a política da empresa, a importância do posicionamento e como construir sua marca pessoal.

Aceleração é a palavra-chave aqui. O aprendizado por osmose, observando como a mentora age, reage e decide, economiza anos de tentativas e erros. A mentorada aprende a escolher quais batalhas valem a pena lutar e quais devem ser deixadas de lado. Ela recebe feedback honesto e construtivo de alguém que realmente se importa com seu desenvolvimento, o que é muito diferente da avaliação formal de desempenho anual. Esse olhar apurado ajuda a lapidar arestas e a potenciar talentos que estavam adormecidos.

Mas talvez o maior ganho seja a permissão para sonhar mais alto. Muitas mulheres limitam suas ambições porque não sabem o que é possível. Quando você tem uma mentora que já chegou lá, o impossível se torna viável. A mentorada começa a se visualizar em cargos de liderança, a pedir aumentos com mais segurança e a se colocar em projetos desafiadores. É um salto de qualidade não apenas profissional, mas existencial. Ela passa a ocupar seu lugar no mundo com mais propriedade.

Criando um espaço seguro de vulnerabilidade

O mundo corporativo tradicionalmente exige uma armadura pesada. Não podemos chorar, não podemos demonstrar dúvida, não podemos falhar. Isso é exaustivo e adoece. A relação de mentoria cria um oásis nesse deserto de dureza. É um espaço confidencial onde as máscaras podem cair. Poder dizer “eu não sei o que fazer” ou “estou com medo” sem o risco de ser julgada ou demitida é libertador. E é justamente nessa vulnerabilidade que o crescimento real acontece.

Como terapeuta, sei que só conseguimos mudar aquilo que reconhecemos e aceitamos. Se a mulher precisa fingir perfeição o tempo todo, ela não tem espaço para trabalhar suas dificuldades. Na mentoria, ao confessar uma insegurança, ela tira o poder daquele medo. A mentora, por sua vez, ao acolher essa vulnerabilidade, modela um tipo de força que não exclui a sensibilidade. Cria-se um laço de confiança profunda que serve de base segura para que a mentorada ouse voar mais alto.

Esse espaço seguro também funciona como um laboratório de ensaios. A mentorada pode testar um discurso difícil, simular uma negociação ou ventilar uma frustração antes de agir. Ter esse “bastidor” protegido evita reações impulsivas e decisões baseadas apenas na emoção do momento. É um suporte emocional que funciona como um amortecedor contra o estresse crônico do ambiente de trabalho, promovendo saúde mental preventiva.

Como Ser a Mentora que Você Gostaria de Ter Tido

A escuta ativa como ferramenta de transformação[8]

Se você quer começar a puxar outras mulheres, o primeiro passo é fechar a boca e abrir os ouvidos. Estamos acostumadas a dar conselhos, a querer resolver o problema da outra rapidamente. Mas a mentoria eficaz não é sobre dar a resposta certa, é sobre ajudar a outra a encontrar a própria resposta. A escuta ativa envolve estar presente inteiramente, ouvindo não apenas as palavras, mas o tom de voz, a hesitação, o que não está sendo dito. É ler as entrelinhas da alma da outra.

Praticar a escuta ativa exige que você suspenda seus julgamentos. Quando a mentorada trouxer uma questão, resista à tentação de dizer “no meu tempo eu fiz assim”. Cada trajetória é única. Em vez disso, faça perguntas poderosas: “O que você sente que está te impedindo?”, “Qual seria o pior cenário se você tomasse essa decisão?”, “Quais recursos você já tem para lidar com isso?”. Essas perguntas devolvem a autonomia para a mentorada e estimulam o raciocínio crítico dela.

Lembre-se que, muitas vezes, a pessoa só precisa ser ouvida para organizar o próprio caos mental. Ao oferecer uma escuta empática e interessada, você valida os sentimentos dela. Isso, por si só, já reduz a ansiedade e clareia a mente. Você não precisa ser a dona da verdade, precisa ser um receptáculo seguro para as dúvidas dela. É na escuta que a conexão verdadeira se estabelece e a confiança se consolida.

Compartilhando fracassos e não apenas vitórias

O Instagram e o LinkedIn estão cheios de histórias de sucesso editadas. Vemos o prêmio, a promoção, o projeto bem-sucedido. Mas raramente vemos as noites sem dormir, os projetos recusados, as demissões e as crises de choro no banheiro. Se você quer humanizar sua mentoria e realmente ajudar, compartilhe seus fracassos. Conte sobre aquela vez que você falou uma besteira na reunião, sobre o projeto que afundou sob sua liderança ou sobre como foi difícil equilibrar a maternidade com a carreira.

A perfeição intimida e afasta. A humanidade aproxima e conecta.[7] Quando você expõe suas cicatrizes, você diz para a outra mulher: “Eu sobrevivi e aprendi, e você também vai”. Isso tira a pressão de ter que acertar sempre. Mostra que o erro faz parte do processo de aprendizagem e não define o valor profissional de ninguém. Desmistificar o sucesso é um dos maiores presentes que uma mentora pode dar.

Essa transparência cria uma cultura de aprendizado contínuo. Ao narrar como você contornou um erro, você ensina resiliência na prática. Você mostra que cair não é o problema, o importante é a rapidez e a elegância com que se levanta. Histórias de superação real têm muito mais poder de ensino do que teorias abstratas de liderança. Seja a mentora que mostra os bastidores, não apenas o palco iluminado.

O equilíbrio entre desafiar e acolher

Uma boa mentora é aquela que segura a mão, mas também empurra para o abismo (com paraquedas, claro). Se formos apenas acolhedoras, a mentorada pode ficar na zona de conforto, usando a mentoria apenas como um muro das lamentações. Se formos apenas desafiadoras, podemos gerar ansiedade e paralisia. O segredo está na dosagem correta entre apoio e desafio. É o que chamamos na psicologia de “frustração otimizada”.

O acolhimento deve vir primeiro.[4] Estabeleça o vínculo, valide as dores, entenda o contexto. Uma vez que a mentorada se sente segura, é hora de convidá-la a dar um passo além. Desafie as crenças limitantes dela. Quando ela disser “eu não consigo”, pergunte “quais evidências você tem de que não consegue?”. Incentive-a a se candidatar para aquela vaga que ela acha que não está pronta. Empurre-a para falar naquela reunião difícil.

O crescimento acontece no desconforto, mas precisa ser um desconforto gerenciável. Seu papel é calibrar esse desafio. Esteja lá para celebrar a vitória ou para analisar o tombo, mas não deixe ela parada no mesmo lugar. O amor duro às vezes é necessário. Dizer o que ninguém mais tem coragem de dizer, apontar um comportamento sabotador, confrontar uma postura vitimista. Faça isso com amor e respeito, e você verá essa mulher florescer diante dos seus olhos.

A Psicologia por Trás do Apoio Mútuo

A neurociência da segurança relacional

Nosso cérebro é social. Fomos programados evolutivamente para viver em tribo. Quando nos sentimos isoladas ou em ambiente hostil, nosso sistema límbico entra em alerta, liberando cortisol e adrenalina. Isso bloqueia o córtex pré-frontal, área responsável pelo planejamento e tomada de decisão racional. Basicamente, a solidão nos deixa menos inteligentes e mais reativas. A presença de uma figura de apoio, como uma mentora, sinaliza para o cérebro que estamos seguras.

Essa segurança libera ocitocina, o hormônio do vínculo e da confiança. A ocitocina reduz o estresse, aumenta a empatia e melhora a neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de aprender coisas novas. Portanto, o apoio entre mulheres não é apenas “fofinho”, é uma estratégia biológica de otimização cognitiva. Quando mulheres se apoiam, elas criam um ambiente neuroquímico propício para a inovação e a criatividade.

Entender isso muda tudo. Você percebe que criar um ambiente de sororidade não é papo de autoajuda, é criar as condições fisiológicas para a alta performance. Ao puxar outra mulher, você está ajudando a regular o sistema nervoso dela, permitindo que ela acesse todo o seu potencial intelectual e criativo. É biologia pura aplicada à liderança.

A Teoria do Espelho e o reconhecimento de potência[7]

Na psicologia, trabalhamos muito com a projeção. Muitas vezes, admiramos na outra aquilo que temos em potencial dentro de nós, mas ainda não desenvolvemos. Da mesma forma, criticamos na outra aquilo que rejeitamos em nós mesmas. A mentoria é um grande jogo de espelhos. Quando você, como mentora, olha para uma mulher mais jovem e vê garra, talento e brilho, você está ajudando-a a integrar essas qualidades na identidade dela.

Muitas vezes, a mulher não consegue ver sua própria luz.[4] Ela está tão focada nas suas falhas que ignora suas virtudes. O olhar externo da mentora funciona como um farol que ilumina essas áreas escuras. “Você percebeu como você foi brilhante naquela negociação?” ou “Você tem um talento natural para gerir conflitos”. Essas frases funcionam como sementes que, uma vez plantadas, começam a germinar na autoimagem da mentorada.

Esse reconhecimento mútuo cura. Cura a mentora, que se vê na juventude da outra e ressignifica seu próprio início de carreira, e cura a mentorada, que passa a se apropriar de sua força.[9] É um processo de validação circular onde ambas saem maiores do que entraram. É o exercício de ver a potência alheia como inspiração e não como ameaça.

Curando feridas relacionais no ambiente de trabalho

Muitas mulheres carregam traumas de ambientes corporativos tóxicos. Chefes abusivos, assédio moral, exclusão social. Essas experiências deixam marcas profundas e criam mecanismos de defesa. A mulher pode se tornar retraída, agressiva ou excessivamente perfeccionista como forma de proteção. A relação de mentoria pode ser uma experiência corretiva emocional.

Ao viver uma relação profissional saudável, baseada no respeito e na admiração mútua, a mulher começa a reescrever seu modelo interno de trabalho. Ela descobre que é possível liderar sem oprimir, que é possível crescer sem pisar em ninguém. Essa “reparentalização” profissional ajuda a desarmar os gatilhos traumáticos. A mentora atua como uma figura de apego seguro no ambiente profissional.[1][10]

Isso tem um efeito cascata na cultura da empresa. Mulheres curadas curam outras mulheres. Mulheres feridas ferem outras mulheres. Ao investir tempo em curar essas relações através da mentoria, estamos saneando o ambiente corporativo como um todo, tornando-o mais humano e sustentável para as próximas gerações.

Construindo Microrrevoluções Diárias

Do Networking ao Netweaving: tecendo redes reais

Networking tradicional muitas vezes soa interesseiro: “o que essa pessoa pode fazer por mim?”. Eu gosto de propor o conceito de Netweaving (tecer redes). Aqui, a pergunta muda para: “o que eu posso fazer para ajudar essa pessoa?”. É uma abordagem baseada na generosidade e na reciprocidade genuína. Quando você conecta duas mulheres que podem se beneficiar mutuamente, você está tecendo a rede.

Não guarde seus contatos a sete chaves. Apresente aquela advogada incrível para a diretora que precisa de consultoria. Indique aquela designer talentosa para o projeto novo. Faça pontes. Essas conexões fortalecem o ecossistema feminino. Quando você se torna um nó conector na rede, sua influência aumenta naturalmente, não por autoridade, mas por relevância e gratidão.

Tecer redes é também criar grupos de apoio. Um almoço mensal com as mulheres do seu setor, um grupo de WhatsApp para troca de referências, um clube do livro focado em liderança. São pequenas ações que quebram o isolamento. Comece pequeno, mas comece. A rede que segura você quando você cai é a mesma que impulsiona você quando você sobe.

Identificando e validando talentos invisíveis

Como líder ou mulher experiente, você tem o poder de dar visibilidade.[8] Muitas vezes, as mulheres mais talentosas são aquelas que trabalham em silêncio nos bastidores, fazendo a máquina girar, mas sem receber os créditos. Treine seu olhar para identificar essas joias escondidas. Quem é que sempre entrega no prazo? Quem resolve os pepinos que ninguém quer? Quem tem uma inteligência emocional diferenciada?

Puxar para cima é também jogar luz sobre essas mulheres. Em uma reunião, quando uma mulher for interrompida, intervenha: “Gostaria de ouvir o final do raciocínio da Fulana”. Quando uma ideia for apropriada por outro, devolva o crédito: “Como a Beltrana bem pontuou anteriormente…”. Essas microrrevoluções mudam a dinâmica da sala e validam a competência da sua colega publicamente.

Elogie em público e corrija no particular. Um elogio vindo de uma mulher respeitada tem um peso enorme. Escreva uma recomendação no LinkedIn, envie um e-mail para a chefia dela elogiando um trabalho bem feito. Use seu capital político para patrocinar quem merece. Isso não diminui sua luz, pelo contrário, mostra que você é uma líder segura e generosa.

O efeito cascata do “puxar para cima”

A beleza da mentoria é que ela é contagiosa. Uma mulher que foi bem mentorada sente um desejo natural de retribuir.[7] Ela entende o valor do apoio e tende a replicar esse comportamento com as mulheres que vêm depois dela. Criamos assim um ciclo virtuoso de ascensão coletiva. Você não está ajudando apenas uma pessoa, você está iniciando uma linhagem de liderança feminina colaborativa.

Incentive sua mentorada a mentorar alguém mais júnior, mesmo que ela ache que ainda não está pronta. Ensinar é a melhor forma de aprender. Ao se colocar no papel de mentora, ela consolida sua autoconfiança.[5][6] Mostre que não é preciso estar no topo do Everest para ajudar quem está na base; basta estar um degrau acima e estender a mão.

Imagine um futuro onde cada mulher que sobe leva outra consigo. A paisagem do poder mudaria drasticamente em poucos anos. Deixaria de ser um clube exclusivo e passaria a ser uma comunidade inclusiva. Essa mudança começa na sua atitude hoje, na próxima reunião, no próximo café, na próxima contratação.

Terapias e Abordagens para Potencializar a Mentoria[8][9][10][11][12]

Para finalizar, quero deixar algumas dicas do meu universo terapêutico que podem enriquecer muito esse processo, tanto para quem mentora quanto para quem é mentorada.

Terapia Cognitivo-Comportamental para crenças limitantes

A TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental) é excelente para identificar e reestruturar pensamentos disfuncionais. Na mentoria, você pode usar princípios da TCC para ajudar a mentorada a questionar suas “verdades absolutas”. Se ela diz “eu nunca serei uma boa líder”, peça para ela buscar evidências que sustentem e que refutem essa ideia. Ajude-a a substituir pensamentos catastróficos por pensamentos realistas e funcionais. É um treino mental que muda a emoção e o comportamento.

A visão da Psicologia Sistêmica nas organizações

A abordagem sistêmica nos ensina a olhar para o todo e não apenas para as partes. Às vezes, o problema da mentorada não é individual, mas um sintoma de um sistema doente. Entender as leis sistêmicas de pertencimento, hierarquia e equilíbrio de troca ajuda a navegar a política da empresa com mais sabedoria. A mentora pode ajudar a mapear esse sistema: quem tem o poder real? Quais são as alianças invisíveis? Como se posicionar sem ferir a ordem, mas ocupando seu lugar de direito?

Mindfulness e regulação emocional na liderança

Por fim, não podemos liderar bem se estamos no piloto automático. Práticas de Mindfulness (atenção plena) são ferramentas poderosas para a mentoria. Ensinar a mentorada a fazer uma pausa consciente antes de responder a um e-mail agressivo, ou a respirar fundo para baixar a ansiedade antes de uma palestra, é dar a ela controle sobre si mesma. Uma líder que sabe regular suas emoções transmite segurança e clareza. Introduza pequenos momentos de “check-in” emocional nas sessões de mentoria. “Como você está se sentindo agora?” é uma pergunta simples que traz presença e conexão.

Lembre-se: puxar outra mulher para cima é o melhor investimento que você pode fazer na sua carreira e na construção de um mundo onde todas nós possamos não apenas caber, mas brilhar. Vamos juntas?

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