Ansiedade no namoro: Como controlar o medo de estragar tudo

Ansiedade no namoro: Como controlar o medo de estragar tudo

Você já se pegou olhando para o celular, esperando uma resposta que demora apenas alguns minutos, mas que na sua cabeça parece uma eternidade silenciosa e dolorosa? Essa sensação de aperto no peito, as mãos suando frio e a mente criando roteiros catastróficos onde o relacionamento acaba sem aviso prévio são vivências muito comuns. Viver com ansiedade no namoro é como caminhar constantemente sobre ovos, com um medo paralisante de dar um passo em falso e ver tudo o que você construiu desmoronar.

É exaustivo sentir que você precisa monitorar cada palavra, cada gesto e cada mudança no tom de voz do seu parceiro para garantir que ainda é amada. Essa hipervigilância não apenas drena sua energia vital, mas ironicamente acaba criando a profecia autorrealizável que você tanto teme. O medo de perder o controle faz com que tentemos segurar a relação com tanta força que acabamos sufocando o afeto e a espontaneidade que a mantinham viva.

Entender que esse medo não define quem você é, nem o futuro do seu relacionamento, é o primeiro passo para a mudança. Você não é “louca” ou “carente demais”; você é, muito provavelmente, alguém que aprendeu a associar amor com perigo ou instabilidade. Vamos desvendar juntas o que está acontecendo dentro de você e traçar um mapa seguro para sair desse estado de alerta constante.

Entendendo a raiz da ansiedade no namoro[1][2][3][4][5][6]

O que é essa sensação de “iminência do fim”?

A ansiedade nos relacionamentos muitas vezes se manifesta como uma certeza inabalável de que algo terrível está prestes a acontecer. Não é apenas um nervosismo passageiro antes de um encontro; é um filtro cinza que você coloca sobre os olhos e que distorce a realidade. Você pode estar em um jantar agradável, mas sua mente está a quilômetros de distância, analisando se o sorriso dele foi menos intenso do que o de ontem ou se ele olhou para o lado por desinteresse. Essa sensação de “iminência do fim” é um mecanismo de defesa do seu cérebro tentando te preparar para uma dor que, na maioria das vezes, nem existe no momento presente.[2]

Muitas vezes, essa sensação vem de uma necessidade profunda de controle.[2][3] Quando não conseguimos prever o comportamento do outro — porque, afinal, o outro é um ser humano livre e imprevisível —, entramos em pânico. O cérebro ansioso odeia incertezas e prefere criar um cenário negativo, pois, paradoxalmente, o desastre imaginado traz uma falsa sensação de preparação. Você sente que se “ensaiar” o término na sua cabeça, sofrerá menos quando ele acontecer. O problema é que você sofre antecipadamente por algo que talvez nunca ocorra, roubando a alegria do agora.

É importante reconhecer que esse sentimento é um sintoma, não um fato.[2] Só porque você sente que o relacionamento está em perigo, não significa que ele realmente esteja.[3][7] Aprender a separar o “fato” do “sentimento” é uma das habilidades mais cruciais que você pode desenvolver. O perigo mora na sua interpretação dos eventos, não necessariamente nos eventos em si.[1][2][4][7][8] Quando você entende que essa “iminência” é um alarme falso disparado por inseguranças antigas, você começa a retomar o poder sobre suas emoções.

A diferença entre intuição e paranoia

Uma das perguntas mais frequentes que ouço no consultório é: “E se eu estiver certa? E se for minha intuição me avisando?”. É uma dúvida legítima e perturbadora. A linha entre a intuição, que é uma percepção sutil baseada em dados reais, e a paranoia, que é baseada no medo irracional, pode parecer tênue. No entanto, a diferença fundamental está na qualidade da emoção. A intuição geralmente é calma, clara e persistente; ela não vem acompanhada de desespero, taquicardia ou uma necessidade urgente de “resolver” a situação agora mesmo. Ela é uma voz tranquila que diz: “Isso não é bom para você”.

A paranoia ou ansiedade, por outro lado, é barulhenta, caótica e urgente. Ela te empurra para a ação impulsiva: mandar dez mensagens seguidas, checar as redes sociais obsessivamente ou acusar o parceiro sem provas. A ansiedade conta histórias complexas e cheias de detalhes (“ele não respondeu porque está com aquela colega de trabalho e eles devem estar rindo de mim”), enquanto a intuição se atém ao que é observável. Se você sente que precisa agir compulsivamente para aliviar uma angústia, é quase certo que se trata de ansiedade, e não de intuição.

Para distinguir as duas, você precisa de tempo e pausa. A paranoia exige reação imediata; a intuição permite observação. Quando sentir o medo subir, faça um acordo consigo mesma: não farei nada pelas próximas 24 horas. Se, após o calor da emoção passar, você ainda perceber sinais concretos de que algo está errado na relação, aí sim você estará lidando com a realidade. Mas na grande maioria das vezes, o “aviso” desaparece assim que o sistema nervoso se acalma, revelando que era apenas o medo falando alto.

O papel da autoestima na insegurança[2][3][8][9]

A base de toda essa ansiedade no namoro quase sempre nos leva de volta a um ponto central: como você se vê. Se, no fundo, você acredita que não é digna de amor, que é “estragada” ou insuficiente, seu relacionamento se tornará um tribunal onde você está constantemente sendo julgada. Você vive esperando o momento em que o parceiro vai “descobrir” a farsa que você acha que é e vai embora. Isso transforma o namoro em uma performance exaustiva para manter o outro interessado, em vez de ser um espaço de troca e descanso.

A baixa autoestima faz com que você coloque o parceiro em um pedestal e se coloque numa posição de submissão emocional. Qualquer sinal de desaprovação dele, real ou imaginado, é sentido como um veredito sobre o seu valor como pessoa. Se ele está cansado e quieto, você assume que é porque você é chata. Se ele quer sair com os amigos, você assume que é porque você não é companhia suficiente. Você toma as dores do mundo para si porque não tem uma base interna sólida que diga “eu sou interessante e amável, independentemente do humor dele hoje”.

Trabalhar a autoestima é o antídoto mais poderoso contra o medo de estragar tudo. Quando você sabe o seu valor, a rejeição — embora ainda dolorosa — deixa de ser uma ameaça à sua existência. Você entende que, se o relacionamento acabar, você ficará triste, mas sobreviverá e continuará sendo uma pessoa completa. Essa segurança interna tira o peso excessivo das costas do seu parceiro de ter que validar sua existência o tempo todo, permitindo que a relação respire e cresça de forma saudável.

Os sinais de que o medo assumiu o controle

A necessidade constante de validação[2][4]

Você pergunta “você me ama?” ou “estamos bem?” várias vezes ao dia ou semana? Essa busca incessante por tranquilização é um dos sinais mais claros de ansiedade de relacionamento. No início, pode parecer apenas um jeito carinhoso de se conectar, mas com o tempo, torna-se um ritual compulsivo. A validação externa funciona como um analgésico: alivia a insegurança momentaneamente, mas o efeito passa rápido, e logo você precisa de outra dose para se sentir segura novamente.

O problema é que esse comportamento desgasta o relacionamento. Para o parceiro, pode começar a parecer que nada do que ele faz é suficiente.[2] Ele pode te abraçar, te levar para sair, te incluir na vida dele, e ainda assim você precisa daquela confirmação verbal específica. Isso gera frustração no outro, que se sente cobrado e não reconhecido pelos seus esforços de demonstrar afeto.[2][6][8] Você acaba transformando o parceiro em uma “muleta emocional”, responsável por regular a sua ansiedade, o que é um peso injusto para qualquer um carregar.

Além disso, buscar validação externa o tempo todo te impede de desenvolver a autovalidação. Você perde a capacidade de olhar para a relação e dizer para si mesma: “Sim, estamos bem, eu sinto isso nas atitudes dele”. Você terceiriza a sua paz. O desafio aqui é aprender a suportar o desconforto da dúvida sem correr para pedir garantia. É no espaço do silêncio, onde você não pergunta e apenas observa e sente, que a confiança verdadeira começa a ser construída.

O ciclo vicioso da autossabotagem

A autossabotagem é, talvez, o aspecto mais trágico da ansiedade no namoro. O medo de que as coisas deem errado é tão grande que, inconscientemente, você começa a agir de maneiras que provocam exatamente o desfecho que você quer evitar. Por exemplo, você tem medo de que ele te ache “grudenta”, mas a ansiedade te faz ligar 15 vezes. Ou você teme que ele te traia, então você o acusa injustamente até que ele se cansa da desconfiança e decide terminar. Você cria o conflito para aliviar a tensão da espera.

Isso acontece porque, para a mente ansiosa, a “certeza do desastre” é mais confortável do que a “incerteza da felicidade”. Se você provocar uma briga e ele for embora, pelo menos você estava certa; você retomou o controle da narrativa. É uma lógica distorcida e dolorosa, mas muito comum. Você testa os limites do parceiro, empurrando-o para ver até onde ele aguenta, apenas para provar a si mesma que “todo mundo vai embora no final”.

Quebrar esse ciclo exige uma consciência brutalmente honesta sobre seus próprios comportamentos. Você precisa se perguntar: “Estou agindo assim porque algo realmente aconteceu ou porque estou tentando me proteger de uma dor imaginária?”. Reconhecer que você é quem está segurando a caixa de fósforos perto da gasolina é doloroso, mas é também libertador. Significa que você também tem o poder de apagar o fogo e escolher agir diferente, construindo pontes em vez de queimá-las.

A interpretação catastrófica do silêncio

O silêncio é o terreno fértil onde a ansiedade planta suas piores sementes. Na era da comunicação instantânea, a ausência de uma resposta imediata no WhatsApp tornou-se um gatilho universal. Se ele visualizou e não respondeu, sua mente cria uma narrativa completa: ele perdeu o interesse, ele encontrou outra pessoa, ele está irritado com o que eu disse. Você relê suas últimas mensagens procurando o “erro”, analisando vírgulas e emojis como se fossem provas de um crime.

Essa catastrofização ignora completamente a realidade da vida adulta. As pessoas trabalham, dirigem, dormem, esquecem o celular em outro cômodo ou simplesmente precisam de um momento de introspecção. Mas a ansiedade não aceita explicações lógicas; ela opera no modo de sobrevivência. O silêncio é interpretado pelo seu cérebro primitivo como abandono, o que dispara uma resposta de pânico real no seu corpo.

Aprender a conviver com o silêncio é uma arte. É preciso treinar o cérebro para não preencher as lacunas com monstros. Quando o silêncio vier, ocupe esse espaço com a sua própria vida. Vá ler um livro, trabalhar, fazer exercícios. Mostre ao seu cérebro que a sua existência continua plena e interessante, mesmo quando o outro não está presente virtualmente. O silêncio do outro não é necessariamente uma ausência de amor; muitas vezes, é apenas a presença dele em outra área da vida naquele momento.[9]

A neurociência do medo nos relacionamentos

O sequestro da amígdala nos momentos de tensão

Para entender por que agimos de forma tão irracional quando estamos ansiosas no namoro, precisamos olhar para o cérebro. Existe uma pequena estrutura chamada amígdala, que é o nosso detector de fumaça. Ela é responsável por identificar ameaças e preparar o corpo para lutar ou fugir. Em um relacionamento ansioso, a amígdala está hipersensível. Um tom de voz diferente ou uma sobrancelha levantada não são processados como “meu namorado está cansado”, mas sim como “ameaça de vida/abandono”.

Quando a amígdala assume o comando, ocorre o que chamamos de “sequestro emocional”. O córtex pré-frontal — a parte do cérebro responsável pela lógica, planejamento e controle de impulsos — é temporariamente desligado. É por isso que, no meio de uma crise de ciúmes ou medo, você não consegue “pensar direito”.[10] Você sabe racionalmente que não deveria gritar ou chorar desesperadamente, mas seu corpo está inundado de sinais de que você está em perigo mortal. Você não está sendo dramática de propósito; biologicamente, você está lutando pela sobrevivência.

Entender isso ajuda a diminuir a culpa.[9] Você não é uma pessoa ruim; você está com um sistema de alarme desregulado. O segredo não é tentar raciocinar no meio do sequestro (o que é impossível), mas sim acalmar o corpo primeiro. Somente quando a amígdala se acalma é que o córtex pré-frontal volta a funcionar e você consegue ter uma conversa adulta e racional. Tentar resolver problemas de relacionamento enquanto se está biologicamente sequestrada é a receita perfeita para dizer coisas das quais se arrependerá depois.

Cortisol versus Ocitocina: a batalha química

Nosso corpo é um laboratório químico constante. No início da paixão, somos inundados de dopamina e ocitocina, os hormônios do prazer e do vínculo. A ocitocina, em especial, é o que nos faz sentir conectados, seguros e amados. No entanto, a ansiedade inunda esse sistema com cortisol, o hormônio do estresse. O cortisol em excesso é corrosivo; ele nos deixa irritadiços, tira nosso sono e nos coloca em estado de alerta máximo.

Quando você vive com medo de estragar o namoro, você está vivendo sob uma chuva constante de cortisol. Isso dificulta fisicamente a capacidade de sentir a conexão amorosa. Mesmo que seu parceiro esteja sendo carinhoso, seu corpo está tão estressado que não consegue absorver a ocitocina que está sendo oferecida. Você se sente “bloqueada” ou anestesiada, o que gera mais ansiedade, criando um ciclo onde o estresse impede o amor, e a falta de sensação de amor gera mais estresse.

Para quebrar isso, precisamos estimular intencionalmente a produção de hormônios do bem-estar. O contato físico — abraços longos (de mais de 20 segundos), cafuné, andar de mãos dadas — ajuda a baixar o cortisol e aumentar a ocitocina. Às vezes, a melhor “conversa” para resolver uma ansiedade não é verbal, mas física. Acalmar a química do corpo através do toque seguro pode ser muito mais eficaz do que horas de discussão sobre a relação.

Como o cérebro cria padrões de previsão de rejeição

Nosso cérebro é uma máquina de previsão. Ele usa experiências passadas para antecipar o futuro e nos proteger.[5][7] Se, no passado, você teve um parceiro que ficou distante antes de terminar, ou se viveu em um ambiente familiar instável, seu cérebro gravou esse padrão: “distanciamento = dor inevitável”. Agora, no seu relacionamento atual, qualquer mínimo sinal de distanciamento ativa esse padrão antigo. O cérebro não quer esperar para ver se é verdade; ele dispara o alerta preventivamente.

Isso se chama “viés de confirmação”. Você começa a escanear a realidade procurando provas de que será rejeitada, ignorando todas as provas de que é amada. Se ele te elogia dez vezes e faz uma crítica, seu cérebro apaga os elogios e foca exclusivamente na crítica, usando-a como prova de que a previsão de rejeição estava certa. É uma forma de o cérebro dizer “eu te avisei”.

O trabalho aqui é a neuroplasticidade: ensinar o cérebro a criar novos caminhos. Isso exige repetição consciente. Toda vez que seu cérebro prever rejeição e ela não acontecer, você precisa parar e registrar isso conscientemente: “Olha, eu achei que ele estava bravo, mas ele só estava com sono. Eu estava errada e estou segura”. Com o tempo e a repetição, o cérebro começa a atualizar o software, entendendo que nem todo silêncio é um adeus e nem toda cara feia é sobre você.

Estilos de apego e a dinâmica do casal[1][3][10]

O apego ansioso e a busca por fusão

A teoria do apego é fundamental para entendermos como nos relacionamos. Pessoas com estilo de apego ansioso — que parece ser o seu caso, pelo tema que estamos tratando — tendem a buscar uma proximidade excessiva para se sentirem seguras.[6][11] A intimidade nunca parece suficiente. Você deseja uma fusão quase total com o outro, onde não haja segredos, espaços ou dúvidas. A independência do parceiro é vista como uma ameaça ao vínculo.[2][4][5][6][7][8][10]

Para o ansioso, a regulação emocional depende do outro.[2] Se o parceiro está feliz e perto, você está bem. Se ele se afasta, você desmorona. Essa dependência cria uma dinâmica onde você está sempre na posição de “pedinte” de afeto, o que diminui seu poder pessoal e atração. Você acaba sufocando a relação não por maldade, mas por uma incapacidade de se acalmar sozinha.

Reconhecer que você tem um apego ansioso não é uma sentença de condenação, é um diagnóstico libertador. Significa que suas reações são previsíveis e tratáveis. O objetivo não é deixar de sentir necessidade de afeto, mas aprender a comunicar essa necessidade sem desespero. Em vez de protestar com raiva (“você nunca me dá atenção!”), você aprende a pedir com vulnerabilidade (“estou me sentindo um pouco insegura hoje, preciso de um abraço”).

O apego evitativo e o gatilho da perseguição

Muitas vezes, pessoas ansiosas atraem parceiros com estilo de apego evitativo.[6] O evitativo é aquele que valoriza a independência acima de tudo e se sente sufocado com muita proximidade. Quando a ansiedade bate e você avança para buscar confirmação, o evitativo dá um passo para trás para se proteger. Esse passo para trás aciona o seu pânico, fazendo você avançar mais, o que faz ele recuar mais. É a clássica dança da perseguição e do distanciamento.

Essa dinâmica é tóxica se não for compreendida. Você acha que ele não te ama porque ele se afasta; ele acha que você é controladora porque você o persegue. Na verdade, ambos estão com medo. Você, medo do abandono; ele, medo de ser engolfado e perder a identidade. Entender que o distanciamento dele muitas vezes é sobre a regulação emocional dele, e não sobre falta de amor por você, pode aliviar muito a sua ansiedade.

O segredo para lidar com um parceiro evitativo (se for o caso) não é correr atrás, mas dar o espaço que ele precisa antes que ele peça. Paradoxalmente, quando você recua e cuida de si mesma, o evitativo se sente seguro para se aproximar novamente. É um jogo de equilíbrio delicado, onde respeitar o espaço do outro é a melhor forma de trazê-lo para perto.

Construindo um apego seguro na vida adulta[6]

A boa notícia é que os estilos de apego não são imutáveis. Podemos desenvolver o que chamamos de “segurança adquirida”. Isso acontece quando aprendemos, através da terapia e de relacionamentos saudáveis, a confiar em nós mesmas e nos outros. O apego seguro é o meio-termo: eu gosto de estar com você, mas não morro sem você. Eu aprecio nossa intimidade, mas respeito nossa individualidade.

Construir essa segurança envolve correr riscos calculados.[10] É arriscar não mandar a mensagem e ver que o mundo não acabou. É arriscar dizer “não” e ver que o parceiro não foi embora. Cada pequena vitória sobre o medo fortalece a musculatura da segurança emocional. Você começa a perceber que é capaz de lidar com as incertezas da vida sem se desintegrar.

Além disso, escolher parceiros que sejam emocionalmente disponíveis e consistentes ajuda muito. Se você está com alguém que joga jogos emocionais ou é instável, sua ansiedade nunca vai curar. A cura acontece num ambiente de consistência, onde as palavras condizem com as ações. Procure construir essa consistência também em você, sendo a parceira segura que você deseja ter.

Estratégias práticas para retomar o equilíbrio

Comunicação assertiva sem acusações

A forma como você comunica sua ansiedade pode salvar ou destruir o momento.[4] Geralmente, quando estamos com medo, atacamos: “Você não me respondeu, você não liga pra mim!”. Isso coloca o outro na defensiva instantaneamente. A estratégia aqui é usar a comunicação “Eu sinto”. Mude o foco do que o outro fez (ou não fez) para como você se sentiu.

Tente dizer: “Quando eu fico sem notícias suas por muitas horas, eu me sinto insegura e minha mente cria histórias ruins. Não é culpa sua, mas eu gostaria de saber se podemos combinar um aviso simples quando você for ficar muito ocupado”. Perceba a diferença? Você assumiu a responsabilidade pelo seu sentimento (“minha mente cria histórias”) e propôs uma solução prática, sem acusar o outro de ser negligente. Isso convida o parceiro a ser um aliado contra a ansiedade, e não o inimigo.

Seja direta sobre suas necessidades. Ninguém tem bola de cristal. Se você precisa de carinho, peça carinho. Se precisa de palavras de afirmação, diga isso. Esperar que o outro adivinhe o que você precisa é uma armadilha que gera ressentimento. A clareza é afrodisíaca e traz paz para a relação.

Técnicas de “Aterramento” para crises de ansiedade

Quando a crise bater forte — aquele momento em que o coração dispara e você tem certeza de que tudo acabou —, você precisa sair da sua cabeça e voltar para o seu corpo. A mente está mentindo para você nesse momento, então não tente debater com ela. Use técnicas de “aterramento” (grounding). Uma técnica simples é a regra 5-4-3-2-1.

Pare onde estiver e identifique: 5 coisas que você pode ver, 4 coisas que pode tocar (sinta a textura), 3 coisas que pode ouvir, 2 coisas que pode cheirar e 1 coisa que pode provar. Isso força seu cérebro a desligar o alarme de perigo futuro e focar nos dados sensoriais do presente. Outra técnica poderosa é a respiração diafragmática lenta: inspire contando até 4, segure por 4, e solte contando até 6. Fazer isso por dois minutos muda a química do seu sangue.

Outra estratégia física é mudar de temperatura. Lave o rosto com água gelada ou segure um cubo de gelo na mão. O choque térmico ativa o “reflexo de mergulho” dos mamíferos, que reduz a frequência cardíaca e acalma o sistema nervoso parassimpático. Use esses recursos biológicos a seu favor antes de tomar qualquer atitude em relação ao namoro.

Cultivando a individualidade dentro do par[12]

A melhor defesa contra o medo de perder o namorado é ter uma vida que você ama, com ou sem ele. Quando seu mundo inteiro gira em torno de uma pessoa, qualquer balanço nessa relação é um terremoto devastador. Mas se a relação é apenas um dos pilares da sua vida — junto com seu trabalho, seus amigos, seus hobbies, sua família —, um problema no namoro é apenas um problema, não uma catástrofe total.

Retome os hobbies que você abandonou. Saia com suas amigas sem ele. Tenha projetos pessoais que te apaixonem. Isso não só diminui a sua ansiedade (pois você tem outras fontes de prazer e validação), mas também te torna muito mais interessante aos olhos dele. Nada é mais atraente do que alguém que tem brilho próprio e não vive na sombra do outro.

Lembre-se: em um relacionamento saudável, 1 + 1 = 3. Tem você, tem ele, e tem a relação. Cuide do “você” com tanto zelo quanto cuida da “relação”. Sua individualidade é o solo onde o amor pode crescer sem sufocar. Quanto mais preenchida você estiver de si mesma, menos desesperada estará pela presença do outro.

Terapias e abordagens clínicas indicadas[2][3]

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

Se você sente que não consegue fazer isso sozinha, saiba que existem ferramentas profissionais muito eficazes. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é o padrão-ouro para tratar ansiedade. Ela trabalha identificando os “pensamentos automáticos” distorcidos (como a leitura mental ou a catastrofização) e desafiando-os com evidências da realidade.

Na TCC, você aprende a ser uma cientista dos seus próprios pensamentos. Você vai escrever o que pensou, o que sentiu e quais são as provas reais a favor e contra aquele pensamento. Com o tempo, esse processo de reestruturação cognitiva se torna natural, e você deixa de acreditar em tudo o que sua mente ansiosa diz. É um treino prático e focado em resultados.

Além disso, a TCC oferece técnicas de exposição, onde você aprende a tolerar pequenos níveis de incerteza gradualmente, até que o medo perca a força. É como ir à academia para o cérebro, fortalecendo sua resistência emocional.

Terapia do Esquema

Para casos onde a ansiedade vem de feridas profundas da infância, a Terapia do Esquema é fantástica. Ela identifica quais são os seus “esquemas” desadaptativos — como o esquema de Abandono ou de Defectividade. Essa abordagem entende que existe uma “criança ferida” dentro de você que assume o controle quando se sente ameaçada.

O objetivo da terapia é fortalecer o seu “Adulto Saudável”, a parte de você que consegue acolher a criança ferida sem deixar que ela dirija o carro da sua vida. Você aprende a “reparentalizar” a si mesma, dando a si o acolhimento e a segurança que talvez não tenha recebido no passado.

Isso é transformador para o namoro, pois você para de projetar a figura dos seus pais no seu namorado. Você começa a vê-lo como ele é, e não como a pessoa que vai te abandonar como seu pai ou mãe fizeram. É um trabalho emocional profundo, mas que cura a raiz do problema.

Terapia de Casal e Focada nas Emoções[3][10]

Muitas vezes, a ansiedade não é “coisa da sua cabeça”, mas fruto de uma dinâmica relacional que precisa de ajuste.[4][5][10][11] A Terapia de Casal, especialmente a Terapia Focada nas Emoções (TFE), é excelente para isso. Ela não foca em quem está certo ou errado, mas em como o casal se conecta emocionalmente.

Na TFE, o terapeuta ajuda o casal a identificar o “ciclo negativo” em que estão presos (ex: você cobra, ele se afasta). O objetivo é criar novas experiências de conexão segura dentro do consultório, onde você possa expressar seu medo de forma vulnerável e ele possa responder com acolhimento.

Levar o parceiro para a terapia não significa que o namoro está acabando, mas que vocês estão investindo na qualidade dele. Aprender a serem o porto seguro um do outro é o melhor presente que vocês podem dar à relação. Você não precisa carregar o peso de “consertar” sua ansiedade sozinha; o relacionamento também pode ser um lugar de cura.[3]

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